Internacional
No Iraque, EUA iniciam ofensiva militar a Falluja
Tropas dos EUA e do novo Exército iraquiano estão a postos para uma grande ofensiva contra Falluja, cidade sunita a oeste de Bagdá controlada por rebeldes e combatentes estrangeiros seguidores do jordaniano Abu Musab al-Zarqawi. Enquanto isso, caças e americanos apertaram o cerco, lançando ataques contra posições dos insurgentes. Os militares americanos acreditam que a maioria dos moradores da cidade, que já teve uma população de 250 mil, já deixou o local. No entanto, cerca de 50 mil civis ainda viveriam na cidade. Qualquer combate em Falluja seria um confronto de guerrilha num cenário urbano. Os militares americanos dizem que há entre dois mil e cinco mil rebeldes intrincheirados na cidade, que se comunicam por meio de telefones celulares, pombos-correio e bandeiras. Aumentando o medo e a tensão entre os civis, ontem, forças americanas avisaram moradores de Falluja, por meio de mensagens em árabe divulgados por alto-falantes e panfletos, que prenderão qualquer homem com menos de 45 anos que entre ou saia da cidade controlada por rebeldes. As tropas dos EUA pediram aos moradores para capturar ?terroristas? e aconselharam mulheres e crianças a deixarem a região, disseram autoridades. Paralelamente em Bruxelas, o primeiro-ministro interino do Iraque, Iyad Allawi, disse ontem que o tempo está se esgotando para que se alcance uma solução pacífica que encerre a insurgência em Falluja. Allawi foi categórico ao prometer que liberará a cidade dos guerrilheiros a quem chama de ?terroristas?. ?A janela está se fechando para um acordo pacífico?, disse ele, durante entrevista coletiva a jornalistas na reunião de cúpula da União Européia (UE), na capital da Bélgica. ?Nós pretendemos libertar o povo. Os insurgentes e os terroristas ainda estão agindo lá. Nós esperamos que eles caiam em si, caso contrário nós os colocaremos diante da face da justiça?. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, alertou os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e o Iraque de que uma ofensiva contra Falluja pode fomentar a raiva dos iraquianos e prejudicar as eleições planejadas para janeiro no país. O alerta de Annan foi feito em cartas enviadas na semana passada ao presidente dos EUA, George W. Bush, ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, e ao premier iraquiano, Iyad Allawi, disseram nesta sexta-feira autoridades, que não quiseram se identificar. Um porta-voz da ONU afirmou que o órgão não comentará o conteúdo das cartas. ?Não temos nada a dizer sobre comunicação privada entre o secretário-geral e os chefes de Estado?, declarou. Em sua carta, segundo o jornal Los Angeles Times, Annan reconheceu que existe a necessidade de se restaurar a segurança no Iraque, mas disse que um processo político mais amplo, incluindo grupos não representados no governo interino, seria o melhor rumo para a estabilidade.