Internacional
ONU vai aumentar seu pessoal no Iraque
A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou que aumentará seu pessoal no Iraque para ajudar a preparar as eleições parlamentares previstas para o próximo 27 de janeiro. O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, tomou a decisão de enviar mais funcionários e a anunciou pouco depois de o vice-presidente iraquiano, Ibrahim Al-Jaafari, ter divulgado na sexta-feira, em Bagdá, a fixação do 27 de janeiro como data para estas eleições. O secretário-geral adjunto para Assuntos Políticos da ONU, Kieran Prendergast, evitou, em entrevista coletiva, confirmar números e prazos para o envio destes funcionários, mas disse que serão o suficiente para ajudar a comissão eleitoral independente iraquiana a realizar as eleições. ?O tamanho nem sempre é importante. Devemos nos concentrar na qualidade de nossa ajuda?, disse. Prendergast recusou falar de uma carta que Annan enviou aos líderes dos EUA, Reino Unido e Iraque na qual advertia que um ataque na conflituosa cidade de Faluja poderá piorar ainda mais a situação e prejudicar as eleições. No entanto, ressaltou que as eleições ?não são um fato que se deva considerar separadamente, mas o contexto é muito importante?, e expressou sua esperança em que contribuam para promover a estabilidade no Iraque. Neste sentido, enfatizou a necessidade de que as eleições sejam o mais abrangente possível e explicou o porquê de a ONU sempre ter sido contra realizar eleições antes do tempo. ?Precisa-se de tempo para que os partidos se desenvolvam, ultrapassando o sectarismo e as fronteiras étnicas?, especificou. Prendergast mostrou sua satisfação pela declaração de grupos radicais dentro do Iraque de participar das eleições, entre eles os vinculados ao grande aiatolá Ali al-Sistani, máxima autoridade do xiismo no país, e com o clérigo radical também xiita Moqtada al Sadr. No entanto, mostrou sua preocupação com a possibilidade de as comunidades mais alinhadas, em referência aos sunitas e outros grupos minoritários, não participarem das eleições. Em Bagdá, o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Allawi, já anunciou que o partido Baath, do deposto presidente iraquiano Saddam Hussein, será proibido de participar. Nas eleições de janeiro serão escolhidos os representantes de uma Assembléia Constituinte que se encarregará de redigir uma Constituição no Iraque, a qual assentará as bases para a realização de eleições gerais no final de 2005. Há uma semana, os iraquianos podem se registrar para votar nestes centros. Segundo Perelli, 80% abriram as portas sem incidentes, inclusive em áreas onde se achava que poderia haver.