Internacional
Sucess�o de Arafat mobiliza fac��es palestinas
Já pensando no vácuo de poder em conseqüência da eventual morte do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Yasser Arafat, treze facções palestinas na Faixa de Gaza, incluindo o Hamas, a Jihad Islâmica e a Fatah, decidiram criar em reunião na sexta-feira uma autoridade colegiada. Com essa decisão ?tratamos de formar uma direção unificada estendida a todos os representantes e nos tornamos uma referência para o governo palestino (ANP) e para a Organização para a Libertação da Palestina (OLP)?, disse Yaled al Bascha, da Jihad Islâmica. Representantes do Comitê Superior Islâmico e Nacional, um organismo que reúne as 13 facções palestinas, incluindo as organizações islâmicas, a Fatah e a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), vão se reunir em breve com dirigente da ANP para apresentar o que foi acertado. Os palestinos que rezavam em mesquitas na sexta-feira por Arafat deixaram claro que querem um sucessor para ele ainda menos disposto a ceder a Israel na luta por um Estado independente. O líder nunca indicou publicamente quem poderia substituí-lo. Pouca gente em Gaza e na Cisjordânia parece ser favorável a um substituto que agrade a Israel ou aos EUA - um palestino moderado que conseguisse encerrar os quatro anos de levante. ?A menos que o sucessor seja mais determinado e decidido no que diz respeito aos direitos básicos palestinos, ele nunca terá a confiança das pessoas?, disse Khaled Ammar, de 30 anos, em uma mesquita de Gaza. ?Os palestinos precisam se valer cada vez mais da sua resistência à ocupação e não em negociações?, emendou. A maior parte das funções de Arafat foram assumidas, por enquanto, pelo primeiro-ministro Ahmed Qorei e pelo ex-premier Mahmoud Abbas, ambos moderados. O sucessor constitucional seria o presidente do parlamento, Rawhi Fattouh. Mas nenhum dos três tem grande popularidade para convencer os palestinos a assumir compromissos com Israel ou para reprimir a violência das facções extremistas, abrindo caminho para a retomada das negociações de paz. ?Com sua morte (de Arafat), as chances de chegar à paz serão menores. Ele tem carisma, e os outros não - disse Mona Ibrahim, de 37 anos, que mora em Ramallah, na Cisjordânia?. Segundo o jornal israelense Maariv, Arafat tem um testamento que pede que o ministro das Relações Exteriores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Farouq Kaddoumi, assuma em seu lugar. Mas Qorei negou a existência do documento. Kaddoumi, que fica em Túnis, não entra nos territórios palestinos há anos, porque é contra os acordos interinos de paz assinados em 1993 por Arafat.