Internacional
Palestinos preparam funeral de Arafat
O estado de saúde do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Iasser Arafat, 75, se agravou ainda mais ontem. O ministro palestino das Relações Exteriores, Nabil Shaath, afirmou que o fígado e os rins de Arafat pararam de funcionar, mas o sistema cardiorrespiratório ainda mantinha atividade. Shaath afirmou ser difícil fazer ?qualquer previsão? sobre a saúde do líder palestino naquele momento. Ontem, também, a representante da ANP na França, Leila Shahid, disse à imprensa que o líder palestino continuava vivo, mas reafirmou que seu estado era ?muito crítico?. O governo palestino decidiu enterrar Arafat em seu quartel-general [a Mukata], em Ramallah, na Cisjordânia. Na verdade, de acordo com lideranças palestinas, a Mukata seria uma ?sepultura provisória? - até que os restos mortais do líder palestino possam ser removidos para a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém [como deseja Arafat]. Ontem, escavadeiras e caminhões trabalhavam na retirada dos escombros da Mukata por conta do possível enterro. O líder palestino ficou confinado por quase três anos na Mukata, sem poder sair do local inclusive durante comemorações religiosas. O prédio, vigiado por soldados israelenses 24 horas por dia, está bastante danificado, em grande parte por bombardeios de Israel. Há 13 dias, Arafat foi retirado da Mukata por helicópteros e levado à Jordânia, de onde embarcou a Paris em um avião da Força Aérea da França. Desde então, o líder palestino encontra-se internado em um hospital militar, o Percy, em Clamart [a sudoeste da capital francesa]. Até ontem seu estado de saúde era bastante grave. Apesar de os laudos médicos descartarem câncer ou envenenamento [do sangue], o líder palestino sofreu uma hemorragia cerebral que agravou muito seu quadro. Até ontem, nenhum diagnóstico apontava a doença de Arafat. Apesar de o líder palestino ainda permanecer vivo, estava em coma profundo e suas funções vitais eram mantidas por aparelhos. Na reunião feita ontem pela manhã, líderes palestinos concordaram, pelo menos temporariamente, em seguir a legislação e promover o presidente do Conselho Legislativo palestino, Rawhi Fatouh, em presidente da ANP depois da morte de Arafat. Muitos palestinos não vêem com bons olhos a permanência de Fatouh no comando da ANP, mesmo que seja só por 60 dias, como determina a legislação. Oficiais palestinos também decidiram os detalhes do funeral de Arafat, que vai acontecer no Cairo, Egito, um lugar mais seguro para líderes árabes que participarão da cerimônia. O governo israelense afirmou ontem que não iria interferir na organização do funeral. Árabes israelenses e palestinos da Cisjordânia poderão comparecer à cerimônia. Entretanto, apenas a saída de mil palestinos que vivem na Faixa de Gaza será permitida por Israel.