Internacional
Morre �cone da causa palestina Yasser Arafat
Ramallah e Paris - Com uma mensagem carregada de reverência e promessa, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) anunciou na madrugada de ontem, na Cisjordânia, a morte do presidente Yasser Arafat, após semanas de agonia num hospital da França. Ele estava em coma havia oito dias. Desde o início desta semana, seu estado se agravara profundamente e, na véspera, os líderes palestinos anunciaram que seus rins e fígado haviam parado. ?Anunciamos hoje a morte de Yasser Arafat, que unificou a OLP e a Palestina, e prometemos seguir seu caminho?, disse o secretário da Presidência, Tayeb Abdel Rahim, tentando conter lágrimas. ?A memória de Arafat vai sempre nos guiar?. O anúncio foi em seguida confirmado pelo hospital dos arredores de Paris, para onde Arafat foi levado no dia 29 de outubro. ?Yasser Arafat, presidente da Autoridade Palestina, morreu no Hospital Militar de Percy, em Clamart, em 11 de novembro de 2004, às 3h30 (0h30 em Brasília)?, disse o diretor médico, Christian Estripeau. Na quarta-feira, o ministro palestino de Relações Exteriores, Nabil Shaat, foi encarregado de relatar que Arafat tinha insuficiência renal e hepática. Os preparativos para os funerais já estavam em franco andamento, e Shaat contou que a Autoridade Palestina aceitara a oferta do Egito para a realização de um funeral de Estado no Cairo, onde se acredita que Arafat tenha nascido, e que em seguida ele seria sepultado na Muqata, quartel-general da Autoridade Palestina e onde Arafat esteve confinado nos últimos três anos. Agonia Os primeiros rumores de insuficiência hepática surgiram no fim de semana. Na terça-feira, a Autoridade Palestina noticiou que os médicos tentavam controlar uma hemorragia cerebral em Arafat, mas que ?seu cérebro, corações e pulmões? ainda funcionam. Nesse dia, enquanto autoridades disseram em público que ele estava vivo, fontes palestinas afirmaram em caráter privado que ele havia morrido Na manhã de quarta-feira, a principal representante palestina na França, Leila Shaheed, disse que havia ocorrido ?complicação no estado de todos os seus órgãos vitais? de Arafat. No mesmo dia, Arafat recebeu a visita do mais influente clérigo muçulmano na Cisjordânia, no hospital. A Autoridade Palestina teve que negar que a visita fosse para autorizar o desligamento de aparelhos que mantinham Arafat vivo. O xeque Taisser Bayoud Tamimi, presidente do Conselho Superior do Tribunal Islâmico da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, falou com a imprensa na entrada do hospital, para dizer que a eutanásia não é aceita pela fé muçulmana. ?Isso é proibido pela lei islâmica. Enquanto houver uma manifestação de vida presente, de movimento a temperatura no corpo, ele ainda está vivo?. As esperanças de que ele sobrevivesse, porém, já haviam claramente terminado.