Internacional
Emo��o e tumulto no adeus a Yasser Arafat
Ramallah - Numa cerimônia tomada por caos e consternação, uma multidão calculada em dezenas de milhares de pessoas deu, ontem, o último adeus ao líder palestino Yasser Arafat. O homem que unificou e se tornou símbolo da causa palestina foi sepultado num túmulo construído às pressas no complexo onde viveu isolado nos últimos anos. A intenção de que o corpo fosse velado por duas horas num dos prédios do complexo ruiu diante do ímpeto da multidão para se aproximar do caixão. ?Vamos sacrificar nosso sangue e almas por você, oh, Abu Ammar?, gritava a multidão, usando o nome de guerra de Arafat, quando o helicóptero que trouxe o corpo do Cairo pousou no complexo da Autoridade Palestina. A aeronave foi imediatamente cercada pela multidão que invadira a Muqata para prestar sua última homenagem. Do meio do tumulto, soldados e homens armados disparavam tiros insistentemente para o alto, em saudação ao líder que se foi. Há relatos de que pelo menos três pessoas ficaram feridas. As tropas queriam abrir um corredor por onde o corpo de Arafat pudesse ser levado até o prédio onde deveria ser velado. Os soldados tentaram estacionar veículos perto do helicóptero e houve atropelamentos. Meia hora depois de a aeronave pousar, o caixão foi retirado, envolto na bandeira palestina, nos ombros de soldados. O deslocamento, porém, era feito com extrema dificuldade. Homens das forças de segurança abraçaram o caixão, tentando protegê-lo. Alguns eram vistos acima dele, incitando a multidão com gritos de ordem. Outras pessoas tentaram imitar o gesto e foram repelidas com rigidez. No meio da confusão, a bandeira que envolvia o esquife foi rasgada. Lemas nacionalistas A tensão e o tumulto em Ramallah eram grandes desde cedo. Para dar adeus a Arafat na Muqata, milhares de palestinos romperam cordões de isolamento, escalaram muros e espremeram-se em passagens estreitas. Em punho, levaram cartazes, bandeiras e até espadas. A multidão tomara os arredores da Muqata, o QG da Autoridade Palestina, em Ramallah, horas antes e acabou invadindo o complexo, enquanto esperava a chegada do corpo do presidente. Repetindo lemas nacionalistas, a multidão tomou as ruas próximas ao complexo. Soldados foram lotados nos telhados dos prédios para vigiar a multidão, formada por jovens, em sua maioria. Após duas horas de pressão, as forças de segurança cederam e tiveram que se esforçar para fazer a multidão recuar pelo menos da área onde Arafat seria sepultado. Há relatos de que um portão foi derrubado. Arafat morreu na quinta-feira, em Paris, após passar 14 dias internado devido a uma doença ainda não identificada. Seu desejo era ser sepultado em Jerusalém, mas Israel não permitiu. Ontem, último dia do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos, 15 mil pessoas rezaram em memória de Arafat na Mesquita de Al-Aqsa, onde ele disse que gostaria de ser sepultado.