Internacional
Iraque utiliza elei��o para pressionar pa�ses vizinhos
O Iraque deseja pressionar os participantes da conferência internacional sobre o futuro do país, que estão reunidos desde ontem no Egito. Por isso, o governo provisório chegou à reunião com uma data fixada para as eleições gerais: o próximo 30 de janeiro. Os dois dias de conferência reúnem países vizinhos ao Iraque, o Egito e outros países árabes, além da China. Também há representantes dos países que integram o Grupo dos Oito, da Organização das Nações Unidas (ONU), União Européia, a Liga Árabe e a Organização da Conferência Islâmica. ?Outros países realizaram eleições em uma situação de instabilidade, como o caso do Afeganistão. O importante é que todas as regiões estejam controladas pelo poder central?, declarou Samir Sumaydai, representante iraquiano na ONU. O apoio internacional à realização das eleições gerais no Iraque, primeiro passo para o retorno à soberania, é uma das questões centrais da reunião ministerial que vai até amanhã. Apesar da violência que devasta o país e a oposição de formação sunita, a Comissão Eleitoral decidiu no domingo que a data das eleições será o dia 30 de janeiro. Estas serão as primeiras eleições livres e multipartidárias nos últimos 50 anos. Nas palavras do ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, a decisão não é uma forma de pressão à comunidade internacional nem tem a intenção de obrigá-la a atuar frente a fatos consumados. ?De qualquer maneira, tínhamos de fixar uma data antes do fim de janeiro?, disse, em sua chegada a Sharm el Sheikh. Controle Em outubro, o primeiro-ministro iraquiano, Iyad Alawi, afirmou que pretendia controlar os rebeldes antes da eleição. A prova é que, nos últimos dias, as tropas americanas acompanhadas das forças de segurança iraquianas, lançaram operações de grande envergadura nas regiões de Falluja [oeste de Bagdá] e Samarra [norte de Bagdá]. Para garantir que as eleições serão realizadas, o governo iraquiano espera obter também em Sharm el Sheikh a cooperação dos países vizinhos, sobretudo, em questões de segurança, controle de fronteiras e intercâmbio de informação. Segundo o chefe da diplomacia iraquiana, tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá no Iraque tem um impacto profundo em seus países vizinhos. ?Temos que criar uma verdadeira confiança regional?, concluiu Zebari, citando especialmente os casos do Irã e da Síria, que se mostram muito interessados com as futuras intenções das tropas americanas posicionadas no Iraque.