Internacional
Sob protesto, governista � declarado presidente
Kiev - Com mais de 100 mil pessoas protestando ruidosamente do lado de fora pela terceira noite consecutiva, a Comissão Eleitoral Central da Ucrânia declarou o primeiro-ministro Viktor Yanukovich vitorioso na controversa eleição presidencial realizada no domingo. A oposição, que acusa a comissão de envolvimento em fraudes e irregularidades atestadas por observadores internacionais, convocou uma greve geral em resposta. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse que não pode aceitar o resultado e exortou o governo ucraniano a revisá-lo ou ?enfrentar conseqüências? nas relações entre os dois países. A União Européia também exige investigação das fraudes. A crise ameaça azedar as relações dos EUA e da UE com a Rússia, que apóia Yanukovich. Desde segunda-feira, a oposição ucraniana mobiliza multidões, rejeitando os resultados preliminares que já apontavam para a vitória de Yanukovich. Ontem, depois de divulgados os números oficiais, o rival liberal Viktor Yushchenko conclamou os ucranianos a rejeitar a contagem. ?Não reconhecemos o resultado declarado oficialmente?, disse Yushchenko a dezenas de milhares de simpatizantes reunidos na principal praça de Kiev. Ele repetiu uma alusão ao risco de guerra, feita na terça-feira, ao referir-se aos perigos da crise política. Desta vez, disse que a proclamação do resultado coloca a Ucrânia ?à beira do conflito civil?. Por enquanto, porém, as opções declaradas da oposição são ?parar transportes, fábricas e escolas? e contestar os resultados na Justiça, segundo aliados de Yushchenko. ?Ninguém vai desistir. Temos muitas oportunidades jurídicas -disse à agência russa Interfax, o representante, na Comissão Eleitoral Central, da coalizão de oposição, Yuriy Klyuchkovsky. O presidente da comissão eleitoral, Serhiy Kivalov, disse que Yanukovich venceu o segundo turno com 49,46% dos votos (ou 15.093.691), contra 46,61% (14.222.289) do líder da oposição, o liberal Viktor Yushchenko. Dentro do pequeno e lotado auditório da comissão, a oposição reagiu aos números aos gritos: ?Vergonha! Vergonha!?.