Internacional
Corte chilena confirma processo contra Pinochet
A Corte de Apelações de Santiago ratificou, ontem, a ordem de prisão e o processo contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet pelos assassinatos e desaparecimentos forçados da ?Operação Condor? - ação conjunta das ditaduras militares do Cone Sul na década de 1970. Durante o período em que Pinochet, 89, dirigiu o Chile, mais de três mil pessoas morreram devido à violência política de seu governo e cerca de 27 mil foram torturadas. A resolução, decidida de forma unânime pela Quarta Vara, foi votada enquanto o general Pinochet cumpria seu terceiro dia de internação no Hospital Militar de Santiago em conseqüência de um acidente cerebral vascular sofrido no sábado (18). A Prisão foi pedida pelo juiz Juan Guzmán Tapia. ?Posso afirmar apenas que, por unanimidade dos integrantes, o pedido de habeas corpus foi recusado?, disse à imprensa o presidente da Quarta Vara, Juan Escobar. Guzmán Tapia decidiu processar Pinochet apesar de relatórios médicos do ex-ditador indicarem que ele sofre de uma ?suave demência?, que teria se agravado nos últimos anos. Dois anos atrás, a Suprema Corte do Chile decidiu que Pinochet não poderia enfrentar outro processo de violação de direitos humanos devido a sua ?fragilidade mental?. No último dia 13, Guzmán Tapia decidiu pela prisão domiciliar de Pinochet e abriu processo pela operação secreta aplicada pelas ditaduras militares sul-americanas. No dia seguinte, advogados que defendem Pinochet entraram com recurso na Corte de Apelação de Santiago e conseguiram a suspensão da ordem de prisão domiciliar contra o ex-ditador. Em setembro último, um interrogatório de Pinochet foi adiado depois que Guzmán foi afastado momentaneamente do caso pela Corte de Apelações por ter uma posição anti-Pinochet formada.