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Viol�ncia afasta crist�os da cidade de Jesus

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Belém - Da cidade onde se acredita que Jesus tenha nascido os cristãos estão partindo. Quatro anos de violência, a derrocada econômica e a barreira de separação construída por Israel contribuem para as dificuldades enfrentadas pelos cristãos palestinos em Belém, uma das maiores concentrações de pessoas que professam o cristianismo da região. Estima-se que três mil cristãos de Belém tenham deixado a cidade desde o início da intifada palestina, em 2000, segundo o sociólogo Bernard Sabella, da Universidade de Belém. Outros especialistas acham que o número é um pouco menor, mas há um consenso de que pelo menos 10% da população cristã de Belém e de duas outras cidades próximas já abandonaram a região. Com o êxodo contínuo, os cristãos são agora 21 mil dos 60 mil palestinos residentes na área ou cerca de 35%, segundo Sabella. ?Cristãos de todo o mundo precisam estar a par dessa realidade?, disse o prefeito de Belém, Hanna Nasser, que é cristão. ?Se o processo de paz não for apressado, a tendência vai continuar. Imagine a cidade de Belém sem cristãos?. Celebrações Nessa época do ano, a praça central de Belém deveria estar decorada para as celebrações do Natal, mas turistas e peregrinos deixaram de visitar a cidade. ?Há quatro anos não há negócios, nada para garantir nosso sustento?, disse Saleh Michel, um católico de 88 anos. Há décadas Michel está à frente de um negócio familiar à prova de recessão. Sua loja de suvenirs fica a menos de dez passos de um dos mais sagrados símbolos da cristandade, a Igreja da Natividade, construída no lugar onde, de acordo com as tradições, Jesus teria nascido. Ainda assim, Michel raramente abre a loja. Um de seus filhos se mudou para a Itália em busca de trabalho. ?Eu pedi a ele que ficasse?, contou o comerciante. ?E ele me disse: ?Então, me dê o que comer?. Ele não tinha escolha. A tristeza de hoje contrasta fortemente com o clima reinante cinco anos atrás. Naquela época, a praça em frente à Igreja da Natividade estava lotada de turistas para os festejos de Natal e ano-novo. Os palestinos falavam na possibilidade de ter um Estado. O papa João Paulo II esteve na cidade em março de 2000, o que aumentou ainda mais o fluxo de visitantes. Novos hotéis estavam sendo construídos para acomodar os turistas e peregrinos.

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