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Trag�dia ganha propor��es incalcul�veis

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Galle - Cidades ao longo de quase toda a costa do Oceano Índico produziram ontem imagens desoladoras: milhares de corpos de vítimas do terremoto e da tsunami do último fim de semana, elevando o total de mortos para 59.186. Dois dias depois de o maior terremoto dos últimos 40 anos, de magnitude 9 graus na escala Richter, sacudir o fundo do mar perto da ilha de Sumatra, na Indonésia, autoridades locais estão vendo mais morte e destruição à medida que se encaminham para áreas mais distantes. ?A enormidade do desastre é impressionante?, afirmou Bekele Geleta, chefe da Federação Internacional da Cruz Vermelha e das Sociedades do Crescente Vermelho no Sudeste Asiático. As doenças podem fazer tantas vítimas quanto a tsunami, alertou um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS). David Nabarro, da OMS, disse que, para evitar uma catástrofe de saúde comparável ao desastre natural, é preciso providenciar água e assistência médica o mais rapidamente possível aos países mais afetados. ?Existe certamente a chance de termos tantos mortos por doenças quanto pela tsunami?, disse Nabarro. Corpos ainda estão espalhados pelas ruas no Norte da Indonésia, zona mais próxima ao epicentro do tremor. Cerca de mil pessoas continuam no local onde foram mortas quando uma tsunami (série de ondas gigantes) as atingiu no momento em que acompanhavam um evento esportivo. ?Estava em campo como árbitro. As ondas de repente vieram e eu fui salvo por Deus - fiquei preso nos galhos de uma árvore?, contou Mahmud Azaf, que perdeu seus três filhos na tragédia. Só na Indonésia, o número de mortos chegou a 27.174 ontem de acordo com o Ministério da Saúde. Centenas de turistas ocidentais foram mortos em resorts no Sri Lanka e na Tailândia. Vilarejos pesqueiros na região foram destruídos, a eletricidade e as comunicações, cortadas, e as casas, esmagadas. Na Índia, a cifra de mortos está em 9.396, segundo os últimos dados facilitados pela agência PTI. Inclui as cinco mil vítimas mortais que se calcula que morreram nas ilhas de Andaman e Nicobar, no golfo de Bengala. ?Este foi o pior dia de nossa História?, observou o empresário cingalês Y. P. Wickramsinghe. ?Gostaria que eu tivesse morrido. Não há motivo para viver?, acrescentou. Centenas de turistas estrangeiros ainda estão desaparecidos. A catástrofe deve deixar um saldo de prejuízos econômicos em torno de US$ 13,6 bilhões, de acordo com estimativas de um especialista em riscos da Munich Re, uma das maiores resseguradoras do mundo. Ontem, especialistas da ONU disseram que os governos em todo o mundo devem trabalhar juntos para construir sistemas de advertência que podem evitar muitas mortes durante desastres naturais. De acordo com a entidade, um grande investimento em programas de educação também é vital para que pessoas mais vulneráveis - especialmente em áreas costeiras onde a catástrofe costuma ser mais severa - saibam o que fazer quando receberem alerta de que a calamidade está a caminho.

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