Internacional
N�meros da trag�dia asi�tica se multiplicam
Indonésia - As dimensões da tragédia provocada pela tsunami que atingiu o Oceano Índico no domingo não param de se agigantar. Esse é um dos piores desastres da história recente. Segundo dados dos governos locais, já foram contabilizados 125 mil mortos nos países afetados pelos efeitos do terremoto - o mais intenso em quatro décadas e o mais mortal desde 1976. Organizações internacionais afirmaram à CNN que a estimativa teria chegado a esse número devido a cerca de 80 mil mortes registradas na província de Aceh, região mais próxima ao epicentro do terremoto, segundo informaram fontes. A CNN afirma que os trabalhadores das organizações contaram que um em cada quatro moradores do local morreu na tragédia. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 5 milhões de pessoas estão carecendo do essencial para sobreviver, em termos de água, alimentos e saneamento. As doenças desencadeadas pela tsunami podem duplicar o número de mortos devido à tragédia, afirmou uma autoridade da OMS na quarta-feira. O médico David Nabarro, chefe da equipe de crises sanitárias da ONU, disse que é vital que os tratamentos médicos e a água fresca sejam levados para os países mais castigados pelas ondas gigantes para que uma catástrofe seja evitada. ?Há certamente uma chance de que tenhamos várias pessoas morrendo devido a doenças transmissíveis por causa da tsunami?, explicou Nabarro. Ontem, funcionários das equipes humanitárias que tentam chegar a áreas isoladas atingidas pela tsunami enfrentaram a devastação. Eles contaram que várias cidades e aldeias estão destruídas e há muitas pessoas em busca de água e comida, algumas ficando mais irritadas ou doentes. Organizações de ajuda, que já se preparam para uma grande operação, disseram que precisam de mais assistência do que pensavam. A operação já é um dos maiores exercícios humanitários na história e 60 países já prometeram mais de US$ 220 milhões em dinheiro e centenas de milhares de dólares em suprimentos de emergência. Centenas de toneladas de suprimentos médicos foram levados de avião para a região, mas as Nações Unidas admitem que somente uma fração da ajuda já chegou onde é necessária, nas áreas costeiras onde a onda gigante de domingo matou milhares de pessoas. ?Estamos fazendo muito pouco no momento?, reconheceu o coordenador de ajuda de emergência da ONU, Jan Egeland, em Nova York. Equipes de ajuda chegaram a muitas áreas atingidas, mas ainda pouco na região onde até 5 milhões de pessoas passam necessidades. ?Vai levar talvez entre 48 e 72 horas para podermos responder às dezenas de milhares de pessoas que gostariam de ter assistência hoje (quinta-feira) - ou melhor, ontem. Acho que a frustração vai crescer nos próximos dias e semanas?. Algumas pessoas não comem desde domingo e enfrentam agora a luta contra infecções de doenças como elefantíase, cólera, febre tifóide, hepatite, bronquite, pneumonia, malária, meningite e febre hemorrágica. Vastas áreas da ilha de Sumatra foram isoladas. O terremoto, de 9 graus, ocorreu no fundo do mar. A Cruz Vermelha também está preocupada com as cifras nas ilhas indianas de Andamano e Nicobar, onde mais um terremoto foi sentido na quarta-feira. Nas regiões atingidas, porém, a ajuda humanitária ainda é mal coordenada e precária. No Sri Lanka, monges budistas distribuem arroz e curry para as vítimas e aeronaves lançam suprimentos em cidades isoladas da Indonésia.