Tragédia
NÚMERO DE MORTOS EM TERREMOTO NA TURQUIA ULTRAPASSA OS 12 MIL
À medida que cresce número de mortes, aumenta a insatisfação da população frente à reação do governo
São Paulo, SP – O número de mortes do terremoto que atingiu a Turquia e a Síria passou de 12 mil nesta quarta-feira (08). O governo turco afirma que cerca de 13,5 milhões de pessoas foram afetadas em uma área de aproximadamente 450 km que vai de Adana, no oeste, até Diyarbakir, no leste do país. Até o fechamento desta edição, foram contabilizadas 9.057 pessoas mortas na Turquia, e outras 2.950, na Síria.
Além disso, na Síria, existem registros de pessoas mortas em Hama, a 250 km do epicentro do terremoto. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reconhece que houve problemas com a resposta inicial ao desastre, mas afirma que as operações de resgate já foram normalizadas.
À medida que cresce o número de mortes, aumenta também a insatisfação da população frente à reação do governo turco ao desastre. O sismo atingiu uma zona remota e pouco desenvolvida do país, o que agravou o desafio das equipes de emergência. Os impactos em rodovias e as condições climáticas desfavoráveis, de neve e chuva, também dificultaram a atuação dos socorristas, trazendo pessimismo à perspectiva de encontrar sobreviventes.
A situação de calamidade fez o presidente Recep Tayyip Erdogan decretar estado de emergência em dez províncias. Sobreviventes nas regiões mais atingidas reclamam, porém, de jamais terem visto sinais de equipes de resgate, além de passarem frio e fome. "Não vimos nenhuma distribuição de comida, ao contrário do que houve em desastres locais anteriores. Sobrevivemos ao terremoto, mas vamos morrer de fome ou de frio", queixou-se Melek, 64, em Antakya, no sul do país.
Relatos de pessoas que se viram obrigadas a escavar os destroços em busca de familiares soterrados com as próprias mãos, sem equipamentos adequados ou mesmo roupas para o frio, também se multiplicaram nos primeiros dias após o desastre —o tremor se deu de madrugada, e muitos dos sobreviventes fugiram de suas casas sem nem sequer calçar sapatos.
Em Gaziantepe, no sudeste, os cães farejadores e escavadeiras só chegaram um dia e meio após o terremoto. "É tarde demais. Agora esperamos os nossos mortos", resumiu à AFP uma mulher que tinha perdido a tia.
Na mesma cidade, Celal Deniz, 61, afirmou que moradores chegaram a ensaiar um protesto pela manhã da terça, mas a polícia interveio. Ele questionou o que foi feito do dinheiro recolhido com a chamada "taxa de terremoto", imposto implementado no país após o tremor de 1999 que matou mais de 17 mil pessoas. Suas receitas, estimadas em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões), supostamente foram revertidas na prevenção de catástrofes como a de agora e na promoção de serviços de resgate.
SÍRIA
Na Síria, uma multidão se aglomerou nesta terça (7) entre os destroços de uma rua da cidade de Idlib, na Síria, para assistir ao resgate de uma família que estava nas ruínas de um prédio colapsado após o terremoto. Celulares em punho, centenas de moradores subiram nos escombros das construções atingidas e vibraram com a retirada das pessoas —que incluíam três crianças, de acordo com as imagens. A equipe de resgate precisou usar um equipamento para romper a parede que prendia a família no local e abriu um corredor entre a multidão para passar com os sobreviventes. Os familiares, alguns em macas, foram encaminhados para uma ambulância, onde receberam os primeiros atendimentos. No vídeo é possível ver cinco pessoas sendo salvas pelos socorristas, que comemoravam a cada resgate. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de vítimas pode chegar a 20 mil, e o de atingidos, a 23 milhões. Mais de 8.000 pessoas já foram socorridas, segundo o jornal americano The New York Times. Os voluntários da Defesa Civil Síria, também conhecidos como Capacetes Brancos, costumam atuar no resgate de vítimas de ataques aéreos em regiões controladas por forças rebeldes na Síria.