Internacional
Argentina faz maior renegocia��o da hist�ria
Buenos Aires ? A Argentina encerrou na última sexta-feira a histórica reestruturação de sua dívida em default de US$ 102,6 bilhões e os prognósticos de uma grande adesão indicam que o país ganhou a batalha ao forçar milhares de credores a aceitarem uma grande perda. Os resultados finais só serão conhecidos na próxima quinta-feira. Três anos depois de ter declarado a maior moratória da História Moderna, a Argentina abriu no dia 14 de janeiro o processo de troca para substituir sua dívida por novos títulos de até US$ 41,8 bilhões, o maior corte já proposto por um país a seus credores. A oferta enfureceu centenas de credores em todo o mundo, que prognosticaram um total fracasso e pressionaram por uma proposta melhor. No entanto, as condições financeiras internacionais, com baixas taxas de juros, a visão dos grandes bancos de que era um bom negócio comprar bônus em default no mercado secundário e ingressar na troca, além da posição firme da Argentina de manter a proposta foram fatores imprescindíveis para explicar a alta adesão. ?Vamos obter um bom resultado com a troca da dívida. Não é para ficarmos contentes, mas esse resultado vai mostrar que os argentinos fizeram a maior negociação da história mundial?, disse o presidente Néstor Kirchner em um evento oficial, horas antes do encerramento do processo. A maior resistência enfrentada pelo governo argentino veio da Itália, onde 450 mil investidores minoritários ? em sua maioria aposentados ? detinham 15% da dívida em moratória. O Comitê Global de Detentores de Bônus da Argentina, que disse representar credores de cerca de US$ 40 bilhões, embora o governo argentino o tenha desafiado a todo o momento a mostrar seus poderes de representação, realizou um giro paralelo ao do país para rejeitar a oferta. Desde o início da troca, em cada oportunidade que perguntavam ao ministro da Economia, Roberto Lavagna, sobre o andamento do processo, ele repetia: ?Deixem que os mercados falem?. O que Lavagna ouve agora certamente deve ser música para seus ouvidos. Wall Street estima que a adesão será de 70% a 80%. No entanto, ainda ter US$ 30 bilhões em bônus que não farão parte da troca representa um grande desafio, uma vez que podem se tornar uma batalha judicial nas cortes de todo o mundo. A expectativa a partir de agora é que o governo argentino comece a planejar sua agenda pós-moratória, começando com a retomada do diálogo com o Fundo Monetário Internacional, suspenso em agosto para se concentrar somente na troca. A decisão de suspender os pagamentos da dívida pública ? e transformar o país em pária dos mercados emergentes ? foi tomada no fim de 2001 por um presidente que se manteve no poder por apenas uma semana. A economia ingressava em seu quarto ano de recessão, com os depósitos bancários congelados e uma enorme desvalorização da moeda local. Com sua dívida reestruturada, o governo espera recuperar credibilidade no mercado financeiro internacional, dar um novo impulso à recuperação econômica e atrair investimentos estrangeiros.