Internacional
Manifestantes atacam EUA e ap�iam a S�ria em Beirute
Beirute - Dezenas de milhares de pessoas se concentraram ontem no centro de Beirute para uma grande manifestação pró-Síria e contra os Estados Unidos convocada pelo grupo islâmico Hezbollah. A manifestação aconteceu no mesmo local onde, nas últimas semanas, protestos contra a presença síria no país levaram à renuncia do gabinete de governo do primeiro-ministro Omar Karami. Palavras de ordem contra a ?intervenção americana? estavam nos gritos e nos cartazes dos manifestantes, que também carregavam fotos do presidente libanês, Émile Lahoud, do presidente sírio, Bashar al-Assad, e seu pai, Hafez al-Assad, e do líder do Hezbollah, xeque Hassam Nassrallah. O protesto foi pacífico, como havia pedido a liderança do Hezbollah, que é ao mesmo tempo uma milícia armada (criada inicialmente para combater a ocupação israelense no sul do Líbano) e um dos principais partidos políticos do país. A resolução 1559 da ONU - também alvo de muitos dos cartazes críticos da manifestação - determina, além da saída das tropas estrangeiras, a desmobilização de milícias como o Hezbollah, grupo classificado como ?terrorista? pelo governo americano. Disputas Mas, apesar dos grandes protestos apresentando visões opostas com apenas alguns dias de diferença, os manifestantes dizem não acreditar que combates entre diferentes facções libanesas voltem a ocorrer. ?Os libaneses sabem o que estão fazendo e não querem voltar a guerrear. Estamos cansados de violência?, disse o manifestante Mohamed Aduri, enquanto agitava uma bandeira libanesa. O Líbano viveu uma guerra civil entre os grupos religiosos do país que durou cerca de 15 anos, até ser encerrada no início da década de 90 com a assinatura do acordo de Taef. As tropas sírias foram ao Líbano a pedido do governo libanês em 1976 para intervir na guerra. Após muita pressão internacional e de manifestações anti-Síria no Líbano, os presidentes Assad e Lahoud anunciaram, na última segunda-feira, que os cerca de 14 mil soldados ainda em território libanês serão deslocados, até o fim deste mês, para o vale do Bekaa, perto da fronteira entre os dois países. Os americanos, no entanto, criticaram o anúncio, que classificaram de ?meia medida?. Os Estados Unidos querem que até as eleições libaneses, marcadas para maio, todos os soldados sírios já tenham voltado para casa.