Internacional
Mesa e Congresso boliviano tentam evitar crise
Bolívia ? O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, chegou ontem a um pré-acordo com as forças políticas representadas no Congresso para a implementação de um pacto social que alivie a crise na qual o país está. A primeira conseqüência do acordo seria a ratificação de Mesa no cargo pelo qual pediu a saída na segunda-feira. O acordo foi revelado por vários deputados de oposição em declarações à imprensa na sede do Congresso, enquanto Mesa e os líderes do Poder Legislativo preparavam o anúncio formal. Mesa ainda tem quase dois anos de mandato. A decisão foi tomada após encontro de três horas, que atrasou o início da sessão extraordinária na qual os deputados rechaçarão a renúncia. Participaram o presidente, líderes da posição e oposição e também representantes do Movimento ao Socialismo, encabeçado pelo líder cocaleiro Evo Morales, o principal organizador dos protestos. O deputado Wilman Cardozo, Movimento da Esquerda Revolucionária, detalhou à televisão estatal boliviana que Mesa e os líderes políticos alcançaram um consenso nos assuntos-chave que causaram a mais recente crise social e política no país. Os temas são a controvertida reforma petrolífera; os protestos e bloqueios de estradas que assolam o país desde que Mesa chegou à presidência, há 17 meses; a votação direta para prefeitos (governadores dos departamentos); e um referendo de autonomia, detalhou Cardozo. Cardozo disse que o processo de diálogo será convocado mediante uma resolução do Congresso, que obrigará a aprovar uma lei sobre hidrocarbonetos e que seriam convocados uma assembléia constituinte e um referendo sobre autonomias regionais. O Congresso vai pedir também o fim de todos os bloqueios de ruas e estradas, nos quais os seguidores de Morales têm grande participação, acrescentou Cardozo. Cardozo antecipou que Mesa poderia assistir à sessão extraordinária do Congresso e dali dirigir-se à nação, e afirmou que uma votação para decidir sobre a demissão de Mesa sem um consenso prévio ?seria um erro?. Negociações Um dos pontos centrais das negociações é a Lei de Hidrocarbonetos, um dos pontos-chave de discordância entre o governo Mesa e a oposição encabeçada por Evo Morales, líder dos plantadores de coca. Produto do plebiscito de julho do ano passado que definiria os rumos da política de gás do país, o projeto da lei está em discussão no Congresso há cinco meses, emperrado entre pressões pró-nacionalistas e pró-mercado. O ponto de maior discórdia é o percentual de imposto a ser cobrado sobre as vendas das empresas petroleiras estrangeiras - ponto que o governo Mesa estaria disposto a renegociar. ?À margem do que decida o Congresso, o que o país precisa é de um pacto de governabilidade, porque não é possível continuar governando como até agora: apagando incêndios?, disse a ministra do Trabalho, Audalia Zurita.