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Argentina critica, mas n�o deixa de pagar ao FMI

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Buenos Aires ? O recente bate-boca protagonizado pelo presidente argentino, Néstor Kirchner, e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não impediu que seu país honrasse, na última quinta-feira, um vencimento de US$ 303 milhões de sua dívida com o organismo. Dois dias antes, o presidente afirmara não precisar dos conselhos e da tutelagem do Fundo, que manifestou preocupação pelas recentes disputas entre Kirchner e empresas do setor petrolífero, desencadeadas pelo reajuste de preços. Desde 2002, a Argentina já pagou US$ 11 bilhões ao FMI, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ao Banco Mundial (Bird). Na quinta passada, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, informou que nas próximas semanas a Argentina ?voltará a emitir dívida?, depois de quatro anos de ausência no mercado. ?Nas próximas semanas emitiremos dívida, operação que estava prevista no Orçamento de 2005. Não se trata de nova dívida e sim da administração de passivos [já contabilizados pelo governo]?, explicou Lavagna. O Ministério da Economia vai emitir papéis para cancelar passivos como os bônus Boden 2005 e 2015, afirmou o ministro argentino, que anunciou o resultado definitivo da operação de reestruturação da dívida pública: 76,15% dos títulos envolvidos no calote ? que atingiu US$ 81,8 bilhões ? foram renegociados. ?Conseguimos, como sociedade, alcançar os objetivos que nos propusemos. O pagamento da nova dívida vai exigir esforços, especialmente uma política de superávit fiscal permanente?, assegurou Lavagna, que nas últimas semanas enfrentou o desafio de evitar uma escalada da inflação no país. Segundo informações publicadas pela imprensa local, o governo está analisando a possibilidade de congelar o preço de alguns alimentos, nos moldes do acordo negociado com fabricantes de carne e frango. Associações de defesa dos consumidores afirmam que desde a desvalorização do peso, implementada em janeiro de 2002, alguns produtos sofreram reajuste superior a 100%. As negociações entre a Argentina e o FMI (estavam suspensas desde agosto de 2004) foram reabertas com a ida do ministro argentino da Economia, Roberto Lavagna, a Washington no início deste mês. O governo argentino pretende firmar um novo acordo com o Fundo para refinanciar uma parte dos pagamentos devidos para este ano, que chegam a cerca de US$ 5 bilhões (R$ 13,7 bilhões).

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