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Equador atrasa salvo-conduto para ex-presidente

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| EPAMINONDAS NETO Folha Online Em meio a uma forte pressão popular, o novo governo do Equador decidiu atrasar a emissão do chamado salvo-conduto para o ex-presidente Lucio Gutiérrez deixar seu País com segurança e seguir com a família para o Brasil. Segundo o ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o Equador teme que o salvo-conduto agrave a situação do País. ?As autoridades equatorianas estão dizendo que conceder o salvo-conduto logo num primeiro momento pode aumentar a convulsão social?. Mas, eu tenho certeza de que ele (o ex-presidente Gutiérrez) virá?, disse. ?Nós argumentamos que, também a presença (de Gutiérrez no Equador), pode continuar a perturbar a situação?, disse Amorim. O ministro também detalhou as condições da concessão do asilo. ?Ele pediu asilo formalmente, por meio de uma carta ao governo brasileiro, concordando com os nossos estatutos, de que não pode fazer manifestações políticas (entre outras condições). Ele já está asilado diplomaticamente, o que falta é o asilo territorial?. /// Equatorianos protestam contra asilo Deposto na última quarta-feira, Lucio Gutiérrez permanece isolado, por tempo indeterminado, na embaixada brasileira em Quito. O prédio é alvo de manifestações contrárias ao asilo político concedido pelo Brasil. Sem o salvo-conduto, Gutiérrez pode ser preso no Equador sob acusação de abuso de poder - entre outras acusações, ele dissolveu a Suprema Corte do País. Na manhã de ontem, circularam informações de que o Brasil teria enviado um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para o Equador que, não tendo autorização de pouso, foi obrigado a retornar ao País. A FAB negou que o avião tenha partido para o Equador. O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim não entrou nesses detalhes, mas confirmou que o avião de fato chegou a pedir autorização para entrar no espaço aéreo equatoriano. ?Mas houve uma reconsideração do assunto (por parte das autoridades locais)?, disse o ministro. ?Trapalhada não houve nenhuma. Essas situações são complexas. As autoridades não concederam a permissão até por questões de segurança do aeroporto?, disse. O ministro afirmou que, segundo informações das próprias autoridades locais, havia uma multidão protestando no aeroporto contra o Brasil. Houve protestos também em frente da Embaixada do Brasil na capital Quito contra o presidente Lucio Guiérrez. Ele está abrigado na residência do embaixador brasileiro, Sérgio Florencio. Portando bandeiras e faixas, os manifestantes pediam que o Brasil não dê asilo ao ex-presidente. ?Lula, amigo, no le de asilo?, gritavam. Nos muros da casa, inscreveram frases de repúdio ao político. Motoristas que passam em frente ao local buzinavam e gritavam. /// Gutiérrez ficará em Brasília, diz Alencar O ex-presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, ficará asilado em Brasília, numa casa cedida pelo Exército. A informação é do vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, que participou ontem das cerimônias comemorativas do Dia da Força Aérea Brasileira, na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio. Alencar considerou normal o governo brasileiro aceitar o pedido de asilo de Gutiérrez. Segundo ele, a atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz parte da vida democrática e não compromete as relações diplomáticas do Brasil com outros países. O vice-presidente lembrou que o Equador passa por um problema político que vai se ajustar e a concessão de asilo ao ex-presidente não significa intervenção brasileira nas questões políticas daquele país. ?Respeitamos os princípios da não-intervenção e da autodeterminação dos povos, mas o asilo deve ser dado sempre que pedido, desde que não haja problema maior ligado a alguma coisa que impeça, como o tráfico de drogas, o que não é o caso?, disse. Deposto na última quarta-feira, Gutiérrez permanece isolado, por tempo indeterminado, na embaixada brasileira em Quito. O prédio é alvo de manifestações contrárias ao asilo político concedido pelo Brasil. O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou que a concessão do asilo seja uma tentativa de o Brasil interferir na política doméstica do Equador. ?Essa é uma acusação absurda. Eu nunca vi o Brasil impondo sanções econômicas ou fazendo ameças militares a nenhum País?, disse. O ministro afirmou que vai ao Equador para ajudar a mediar a crise institucional, junto com autoridades de três países sul-americanos. A data ainda não foi acertada, mas ?deve ser logo?, garantiu.

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