Internacional
Bolivianos tentam invadir Congresso
FOLHAPRESS Mais de dez mil pessoas saíram ontem às ruas da capital boliviana, La Paz, para exigir reformas na Lei de Hidrocarbonetos, aprovada há dez dias pelo Parlamento boliviano e que estipula o aumento da tributação sobre as multinacionais que exploram gás no país. Os manifestantes tentaram invadir a sede do Congresso na capital, mas foram barrados pelos policiais. Uma barreira formada por seguranças se posicionou a 200 metros da Praça de Armas, onde manifestantes -indígenas, camponeses e sindicalistas em sua maioria- tentaram furar o bloqueio e chegar até a praça Murillo, fortemente policiada, inclusive por militares. A polícia usou jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, e muitos policiais cercaram os prédios do governo na capital. Todas os funcionários foram retirados, e uma reunião prevista para acontecer ontem no Congresso foi cancelada. Os protestos sociais são liderados pela Central Operária Regional e a Federação de Juntas Vicinais de El Alto, foco de uma insurreição popular pôs fim ao governo do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, substituído por Carlos Mesa. A manifestação fez com que todos os estabelecimentos comerciais da capital fechassem suas portas, paralisando por completo o tráfego de veículos na região oeste da capital. Manifestantes ao norte de La Paz também fizeram bloqueio nas ruas. O Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo cocalero Evo Morales, iniciou também ontem um protesto em Caracollo (190 km de La Paz), e deve chegar à capital na próxima segunda-feira. Outro grupo iniciou uma caminhada a pé da cidade de Cochabamba (400 km a leste de La Paz), para unir-se aos protestos comandados por Morales. No momento do protesto, o presidente Mesa estava reunido a portas fechadas com seus ministros no Palácio Quemado, fortemente protegido pela polícia.