Internacional
Quinze mil pessoas param La Paz
FOLHAPRESS Mais de 15 mil pessoas se reuniram ontem na capital boliviana, La Paz, em mais uma semana marcada por protestos que exigem a nacionalização - expropriação das multinacionais (como a Petrobras) que fazem a exploração e produção de petróleo sem que o governo indenize essas empresas. Os manifestantes saíram da cidade de Caracollos (190 km ao sul da capital) na última segunda-feira, dia 16, em um protesto liderado pelo líder oposicionista Evo Morales, dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS). Lojas e bancos fecharam as portas, ante a possibilidade de um choques com os policiais que estavam a postos na região. Algumas ruas da capital também foram fechadas pelos manifestantes. Essa não é a primeira vez que os manifestantes saem às ruas por causa da crise que envolve o mercado petroleiro na Bolívia. Na semana passada, o Congresso aprovou a Lei de Hidrocarbonetos - que aumenta a tributação sobre as empresas que atuam a exploração de petróleo e gás - depois que o presidente do país, Carlos Mesa devolveu a lei sem fazer qualquer alteração. A atitude surpreendeu diversos setores da sociedade, já que em 10 de maio passado o presidente havia discordado de diversos pontos da legislação. CRÍTICAS A aprovação da nova regra provocou severas críticas dos setores industriais da sociedade, e protestos na capital do país. Além disso, a convocação de um referendo sobre a autonomia do Departamento de Santa Cruz - maior pólo econômico da Bolívia - provocou também ontem uma onda de manifestações do MAS e dos indígenas da região de El Alto. Para os partidários do MAS, a decisão de Santa Cruz - que ?autoconvocou?? um referendo na semana passada - se demonstra ?unilateral?? e ?ilegal??, segundo o jornal boliviano ?La Razón??. Em 12 de agosto próximo, Santa Cruz vai realizar um referendo para definir a autonomia regional e a eleição de prefeitos para as cidades - que atualmente são escolhidos diretamente pelo governo boliviano. O anúncio da realização do referendo também provocou fortes reações por parte das Forças Armadas bolivianas, que advertiram contra ?qualquer decisão?? que afete a ordem ?legalmente estabelecida?? e fira a Constituição, segundo o ?La Razón??. A declaração do Exército também é motivada pela pressão dos indígenas e operários contra o governo de Carlos Mesa.