Internacional
Manifestantes voltam a La Paz
FOLHA ONLINE Milhares de manifestantes cercaram ontem a praça Murillo, centro dos poderes Executivo e Legislativo em La Paz, para exigir a nacionalização dos hidrocarbonetos (petróleo e gás natural) e uma Assembléia Constituinte, na segunda semana de protestos na Bolívia. Pela manhã, cerca de 10 mil pessoas de El Alto, populosa cidade vizinha à La Paz, ocuparam várias ruas da capital. A elas, se somaram mais 5.000 mineiros, camponeses e indígenas que permanecem em La Paz desde a semana passada. Os manifestantes, que tentaram furar o cerco policial de cerca de 200 metros que defendia a praça, se concentraram na praça São Francisco após o meio-dia. Pela primeira vez nos últimos dias, a polícia não recorreu a bombas de gás lacrimogêneo nem a balas de borracha para dispersar o protesto que, até o meio da tarde, aconteceu sem incidentes graves. Após uma trégua no final de semana, as manifestações voltam a agitar a capital boliviana, um dia antes do reinício das sessões no Congresso. Os congressistas foram convocados para discutir hoje o referendo autonômico, mas as organizações sociais exigem que se incluam modificações a uma nova lei de hidrocarbonetos e se convoque uma Assembléia Constituinte. À frente dos vários milhares de manifestantes, os líderes do protesto ameaçaram bloquear rotas nacionais caso o Congresso não dê prioridade à instalação da Assembléia Constituinte. Os manifestantes começaram a se reunir na madrugada de ontem em El Alto, centro de protestos sociais que pedem a nacionalização dos hidrocarbonetos e uma assembléia constituinte. A estrada foi bloqueada em Faro Murillo, um das rotas até o centro de La Paz, apesar da presença policial. ?Vamos chegar até o Palácio?, disse o oposicionista Roberto De La Cruz. Ele disse que a marcha será pacífica, mas não como as de estudantes. ?Temos que mostrar que nossos irmãos camponeses vêm de suas comunidades para exigir do congresso a nacionalização dos combustíveis?, disse.