Internacional
Congresso boliviano � cercado por �ndios
FOLHAPRESS Milhares de manifestantes se reuniram ontem na capital boliviana, La Paz, em mais um dia de protestos retomados após o último fim de semana. Dessa vez, grupos de indígenas cercaram o Congresso e ameaçam não deixar o local, caso a demanda pela nacionalização da exploração e produção de petróleo não seja atendida. A maior parte da produção de petróleo na Bolívia é controlada por empresas multinacionais, como Petrobras, Repsol (Espanha), Total (França) e British Gas and British Petroleum (britânicas). No início do mês, o governo aprovou uma lei que aumenta a tributação sobre essas empresas, criando um imposto de 32% para as companhias de petróleo, além dos 18% que já são cobrados em forma de royalties [retribuição financeira paga mensalmente pelo franqueado ao franqueador pelo uso contínuo da marca]. Os indígenas são um dos grupos sociais bolivianos que exigem que o governo controle todo o mercado petroleiro no país. ?Esperamos por uma solução democrática, mas queremos que todas as reservas naturais de gás e petróleo da Bolívia sejam retomadas das mãos das multinacionais?, afirmou o líder indígena de El Alto [cidade próxima à capital e um dos centros das manifestações] Edgar Patana, em uma entrevista à uma rádio local na terça. Especialistas dizem que o governo boliviano não tem dinheiro para investir na exploração de gás. Policiais fizeram uma barreira em torno do Congresso depois dos conflitos ocorridos na terça, em que manifestantes atiraram dinamites contra o prédio. A tensão foi tão grande que os parlamentares - que se reuniam após duas semanas de sessões suspensas - interromperam os trabalhos novamente. Os deputados iam decidir ontem sobre a lei que permite a realização de referendos para dar autonomia regional aos departamentos. A maioria dos 700 mil habitantes da capital La Paz está evitando se locomover pela cidade.