Internacional
Processo de ratifica��o deve continuar
AGÊNCIA O GLOBO A União Européia (UE) viu aprofundar-se uma das piores crises de sua História, depois de a Holanda seguir o exemplo da França e rejeitar a nova Constituição do bloco. A rejeição da Carta por dois países fundadores da UE praticamente condena o tratado - mas a morte será lenta. Ontem, o primeiro-ministro Jean-Claude Juncker, que ocupa a presidência rotativa da UE, disse que o Conselho Europeu (o conjunto dos chefes de governo do bloco) não vai interromper o processo de ratificação. Isso empurraria a decisão para novembro. O Conselho Europeu, que é presidido por Jose Manuel Barroso, se reúne nos dias 16 e 17 em Bruxelas, mas uma série de consultas emergências já está em andamento. Ontem, o chanceler da Alemanha, Gerhard Schroeder, foi para Luxemburgo, conversar com Juncker. Amanhã, vai encontrar o presidente da França, Jacques Chirac. ?É uma posição perigosa de estar?, disse o premier de Luxemburgo, ao confirmar-se a rejeição holandesa. Dez países já aprovaram - por voto parlamentar ou referendo popular - a ratificação da Carta que prepara a União Européia para operar nas condições criadas pela expansão a Leste - de 15 para 25 países, ocorrida no ano passado. Ontem, foi a vez de o Parlamento da Letônia dizer ?sim?. Em junho, será a vez do Parlamento de Chipre. Em julho virá o voto de Luxemburgo, importante não pelas proporções do país - um dos menores do mundo - mas pelo fato de ser um membro fundador, que também optou pela consulta popular. ?O Conselho Europeu não poder deter o processo de ratificação?, disse um porta-voz de Juncker ontem. Na véspera, Juncker disse que, na cúpula de junho, o conselho terá a chance de demonstrar que ?a Europa funciona, está em marcha e sabe decidir?. Mas, com a hipótese de declarar condenada a Carta da UE descartada, a negociação para a saída da crise promete ser das mais intrincadas. A Constituição precisa da ratificação de todos os 25 países do bloco para entrar em vigor. Mas, apesar de a rejeição da Holanda e da França ser contundente e praticamente decisiva, outros dez países aprovaram a Carta, entre eles a Espanha. A vitória do ?não? também deve dificultar a elaboração de um acordo de longo prazo a respeito do Orçamento da UE - e será nisso que os líderes pretendem se concentrar na reunião de Bruxelas.