Internacional
EUA criticam tr�fico e explora��o sexual de pessoas no Brasil
FOLHAPRESS A impunidade continua a ser o problema mais grave do Brasil quando se fala de tráfico de pessoas para exploração sexual ou trabalhos forçados. O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou um relatório em que critica, pelo quinto ano consecutivo, o combate ao tráfico de pessoas empreendido pelo governo brasileiro. Os EUA insistem que a legislação e sua aplicação ocorrem de forma ?inadequada??, o que resultou em tratamento brando dos traficantes e em só três condenações de abril de 2004 a março de 2005 no país. Se levados ao pé da letra, os números divulgados esta semana indicam que o Brasil pode ser responsável por quase 10% das vítimas mundiais do tráfico. Ao todo, o governo norte-americano estima a existência de 600 mil a 800 mil vítimas no mundo, no último período analisado, enquanto 70 mil brasileiros, a maioria mulheres e vítimas de tráfico, se prostituem em alguns países da Europa, América do Sul e Japão. ?Ele [o governo brasileiro] pode fazer mais em campanhas, mas o cumprimento da lei é a principal área??, diagnosticou o embaixador norte-americano John Miller, conselheiro do tema. O relatório também chama a atenção do governo brasileiro para a questão do trabalho forçado. Segundo o levantamento, são 25 mil vítimas recrutadas em pequenas cidades do Nordeste, que são mantidas em regime análogo à escravidão. De abril de 2004 a março de 2005, o relatório aponta para a soma de 2.743 vítimas. Na classificação geral entre os 150 países analisados, o Brasil ocupou a faixa dos que se esforçam para combater o problema, mas ainda não demonstram total comprometimento com o tema. Além de ?exportar?? vítimas, o Brasil também figura como destino de bolivianos, chineses e coreanos, explorados em trabalhos forçados nas cidades. Apesar do quadro, há elogios pontuais ao governo brasileiro, que é citado entre as 17 ?melhores práticas internacionais?? no combate ao tráfico de pessoas no mundo. A menção se baseia na liderança em fóruns multilaterais sobre o tema, na campanha de alerta da Polícia Federal e no intercâmbio mantido com polícias européias para investigar casos de turismo sexual. Caráter político O caráter político do relatório ficou evidente, quando a lista de países sujeitos a sanção econômica em razão das ações de combate ao tráfico foi divulgada: alguns dos principais aliados dos norte-americanos na guerra ao terrorismo ocupam os piores lugares do ranking, mas não devem ter dificuldades. Aos países que atualmente mais divergem da Casa Branca também foram reservadas as piores classificações no relatório. ?São amigos próximos dos EUA. Como aliados podem estar no Tier 3 [sujeitos a sanção]???, disse o embaixador John Miller, conselheiro para o tema no departamento.