Internacional
Crise faz aumentar tens�o entre EUA e Venezuela
Folha Online A renúncia do presidente boliviano, Carlos Mesa, na última segunda-feira, gerou ontem uma dura troca de acusações entre os Estados Unidos e o presidente venezuelano Hugo Chávez na Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA). A cúpula terminou na noite de ontem. Em uma declaração atribuída pelo Departamento de Estado dos EUA à Roger Noriega, chefe da diplomacia dos EUA para a América Latina, entregue à imprensa na reunião da OEA, o diplomata afirmou que ?o papel de Chávez na Bolívia é evidente e fala por si mesmo?. Os EUA mantêm relações tensas com o governo de Chávez, apresentado pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, como ?a força negativa? da América Latina. Os comentários de Noriega geraram uma dura resposta do chanceler venezuelano, Alí Rodríguez, também presente na reunião da OEA, na qual se debate a possibilidade de outorgar um papel preventivo à organização para evitar crises nas democracias da região. Horas após o pedido de renúncia do presidente Carlos Mesa, manifestantes atiravam dinamites contra a sede do governo em La Paz. Esse é o vigésimo segundo dia consecutivo de protestos no país. Centenas de policiais controlam os oito acessos à praça de Armas e militares tomam conta da sede do governo. A entrega do pedido de renúncia não diminuiu a tensão social em La Paz e El Alto [considerada um dos centros das manifestações que ocorrem no país há mais de duas semanas]. Líderes indígenas disseram que irão continuar a exigir a nacionalização da exploração e produção de gás e petróleo no país. O Congresso boliviano deve se reunir para tratar do pedido de renúncia de Mesa, mas ainda não há confirmação oficial de uma data. O presidente do Congresso é o primeiro na linha sucessória, segundo a Constituição boliviana, a poder assumir a Presidência do país nesse caso.