Internacional
Reino Unido treinou agentes chilenos
Folha Online Poucos dias depois do fim da Guerra das Malvinas (1982), um seleto grupo de oficiais da inteligência chilena, pertencente ao chamado Comando de Inteligência do Exército (CIE), viajou para a Inglaterra secretamente, a fim de receber treinamento de agentes britânicos, afirmou ontem o jornal argentino ?Clarín?. O treinamento para o grupo chileno foi, segundo o ?Clarín?, produto da ajuda dada pelo Chile à Inglaterra, durante a guerra pelo arquipélago, e uma solicitação pessoal do general Augusto Pinochet (1973-1990) à então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher (1979-90). De acordo com o ?Clarín?, o Serviço Secreto do Exército do Chile se formou com a ajuda dos ingleses, o que incluiu uma ?grande entrega de fundos?, entre 1990 e 1995, que serviu para retirar do país o filho mais velho do general Pinochet, acusado de fraudes contra o Exército que somavam mais de US$ 3 milhões. No final de junho último, um historiador britânico anunciou o lançamento de um livro denominado ?The Official History of the Falklands War? [em português, ?A História Oficial da Guerra das Malvinas? - no Reino Unido, as ilhas são conhecidas pelo nome de Falkland], afirmando que o governo de Pinochet repassou informações aos britânicos sobre a movimentação dos argentinos obtendo, com isso, uma série de acordos, como a compra de aviões de guerra com descontos. De acordo com o jornal, o líder da missão de treinamento foi o oficial chileno Maximiliano Ferrer Lima, na época chefe da Unidade de Contra-espionagem do CIE, que funcionava no quartel secreto da Direção de Inteligência do Exército chileno, localizado na capital Santiago. Lima e Víctor Pinto, coronel e comandante do CIE na época, viajaram nessa missão. ?Ambos estiveram envolvidos no assassinato do líder sindical chileno Tucapel Jiménez, ?executado na manhã de 25 de fevereiro de 1982?, como admitiram à Justiça?, informa o ?Clarín?. Os dois foram condenados como autores intelectuais do crime. Pinto chegou a confirmar que Lima foi o chefe do grupo e, afirmou, durante depoimento, que a primeira viagem dos chilenos ao Reino Unido aconteceu em janeiro de 1982, três meses antes do início da Guerra das Malvinas. A ?missão especial? de janeiro de 1982 teria como objetivo adquirir ?equipamentos de radioescuta e rastreamento? que seriam usados em ações na fronteira com a Argentina, ante a um ?eventual conflito bélico com o país vizinho [a Argentina]?. A viagem de janeiro foi confirmada depois por Lima, que diz ter viajado para Londres em 1982, para fechar um acordo com a inteligência britânica denominado ?Operação Vulcão?. Lima e Pinto também aparecem envolvidos na saída ilegal do químico Eugenio Berríos e aparecem vinculados a seu assassinato no Uruguai em 1992.