Internacional
Londres come�a a identificar os mortos
AGÊNCIO O GLOBO Pela primeira vez desde as explosões de quinta-feira contra o sistema de transporte urbano de Londres, as vítimas ganharam rosto. Duas das 52 pessoas oficialmente dadas como mortas - o número final pode chegar a 60 - foram identificadas. A Polícia Metropolitana de Londres informou ontem que o total de mortos dos ataques subiu de 49 para 52. A ação deixou também 700 feridos. A identificação dos corpos e a contagem oficial dos mortos está sendo feita por meio de trabalhos laboratoriais, conforme as equipes de resgate conseguem retirar os restos mortais dos vagões atingidos. Segundo a polícia, em muitos casos os corpos foram divididos com a explosão, o que dificulta o reconhecimento e a possível identificação. As duas pessoas identificadas eram duas mulheres de meia-idade. ?Estamos recuperando partes de corpos. Não estamos recuperando corpos?, disse o comissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, ao explicar as dificuldades na identificação dos mortos e antever que o número total ainda vai crescer, ainda que sem chegar a três dígitos. Ian Blair descreveu os destroços deixados pelas quatro explosões como ?a maior cena de crime da História inglesa?. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que a demora se justifica, para se evitar erros dolorosos. ?A maioria das famílias das vítimas, mas não todas, tem agora uma idéia clara da perda de seus entes queridos?, disse Blair ao Parlamento. ?Algumas famílias estão contando com apoio de representantes da polícia?. A primeira identificação formal foi a de Susan Levy, de 53 anos, que estava no trem que explodiu entre a estação King?s Cross e a estação Praça Russel. Ela tinha dois filhos, e saíra de casa, em Hertfordshire, no Norte de Londres, acompanhada de um deles, James, de 23 anos. Em Finsbury Park, os dois se separaram. A segunda identificada morreu na explosão do ônibus. Seu nome era Gladys Wundowa, uma faxineira de origem africana, mulher de um segurança. Ela tinha 51 anos, morava em Essex e estava a caminho de um curso em Shoreditch, no Leste de Londres, depois de já ter trabalhado, bem cedo, num departamento da faculdade onde trabalhava.