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Corpo de brasileiro chega amanh�

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O corpo do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto na última sexta-feira pela polícia britânica ao ser confundido com um terrorista na estação de metrô de Stockwell, em Londres, foi liberado ontem pelo governo britânico e será embarcado hoje, às 22h (18h, horário de Brasília), em um vôo da Varig com destino a Guarulhos. Segundo o cônsul-geral do Brasil no Reino Unido, Fernando Mello Barreto, o consulado brasileiro vai começar a providenciar o traslado do corpo, que deve chegar ao Brasil amanhã. De Guarulhos, o corpo de Jean Charles segue num avião da Força Aérea Brasileira (FAB) até Governador Valadares (MG). De lá, o corpo do brasileiro segue para o município de Gonzaga, a 100 quilômetros de Valadares, com traslado pago pelo governo de Minas Gerais. O eletricista brasileiro levou oito tiros da polícia britânica -sete na cabeça e um no ombro- após ter sido interceptado por policiais britânicos à paisana em Stockwell. Segundo testemunhas, ele teria corrido dos policiais ao receber a ordem de prisão. Um inquérito sobre a morte do brasileiro foi aberto pela Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), para investigar a ação da polícia britânica neste caso. Na segunda-feira passada, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou que o visto de Menezes estivesse vencido. A informação foi confirmada por seu colega britânico, Jack Straw. Ambos participaram de uma coletiva de imprensa após uma breve reunião em Londres para tratar do caso. Straw também prometeu atender de forma ?rápida?? e ?compreensiva?? o pedido de compensação financeira feito pela família ao governo britânico. Apesar de mencionar o pagamento do benefício, Straw não esclareceu quando ou como o pagamento deve ser feito. Straw também pediu desculpas pela morte do brasileiro, e informou que a liberação do corpo deve ocorrer ?logo??, apesar de estar vinculada à investigação da comissão independente. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional (AI) pediu ontem uma ?investigação exaustiva? sobre as circunstâncias da ?trágica? morte do eletricista brasileiro. ?A investigação deve ser rápida, exaustiva, independente e imparcial?, disse a organização, em um comunicado. A AI quer que a investigação determine em quais circunstâncias é permitido à polícia britânica atirar para matar, se os policiais esgotaram os recursos para fazer Menezes parar e se consultaram seus superiores antes de atirar. É preciso determinar ?com certeza? se a execução do eletricista brasileiro foi ?lícita?, enfatiza a AI. Hoje, diversas entidades sindicais fazem, às 12h30, uma manifestação em frente ao Consulado Britânico em São Paulo para protestar contra a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. O secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, afirmou que as entidades são favoráveis ao combate ao terrorismo, mas não da forma como tem sido feito pela Scotland Yard. ### Jean fugiu da polícia por medo da violência, diz amigo O medo da violência londrina teria sido o motivo pelo qual o brasileiro Jean Charles de Menezes correu dos policiais à paisana que o perseguiram na última sexta-feira dentro da estação de metrô de Stockwell, segundo um de seus melhores amigos na Grã-Bretanha, Fausto Soares. ?Ele estava revoltado por ter sido assaltado algumas vezes, perdendo suas ferramentas?, disse Fausto à BBC Brasil. Ele conta ainda que presenciou uma confusão recente envolvendo o amigo eletricista. ?Há algumas semanas fomos ver um trabalho na região de Elephant and Castle (sul de Londres), quando um inglês, aparentemente drogado, começou do nada a encrencar com Jean?, diz Fausto. ?O cara partiu para cima do Jean e lhe deu um soco na cara.? ?Estávamos em três, conseguimos separar eles e fomos embora.? Fausto disse que o incidente deixou o amigo perplexo. ?Ele ficou se perguntando por que o inglês teria feito isso, já que ele não fez nada.? Sobre o incidente no qual o amigo perdeu a vida, Fausto acredita que ?se a polícia estivesse uniformizada e tivesse anunciado claramente que eram policiais, ele teria parado na hora, já que entendia inglês muito bem?. ?Imagine um grupo de homens correndo atrás de você.? AJUDA Fausto não entende também por que, dada a situação de alerta em que vive a cidade, não existia um policial dentro do metrô, na hora em que se deu a perseguição. ?Se houvesse um policial lá dentro, o Jean certamente teria corrido para ele, buscando ajuda.? Jean Charles de Menezes teria sido seguido por policiais britânicos depois de deixar, na manhã de sexta-feira, a sua residência no sul de Londres que, segundo a polícia, estaria sob investigação. Ele foi morto ao entrar na estação de metrô de Stockwell, após, segundo testemunhas, ter ignorado os avisos de policiais à paisana, pulado a catraca e corrido para dentro do trem. Os policiais deram oito tiros no brasileiro: um no ombro e sete na cabeça.

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