Internacional
Lula fala com pai de brasileiro morto
O corpo do brasileiro Jean Charles de Menezes, 27, morto na sexta-feira em Londres após ter sido confundido pela polícia britânica com um terrorista, deve ser transportado de São Paulo até o aeroporto de Governador Valadares (MG), por um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), de onde seguirá por terra até Gonzaga (MG), onde mora sua família. O transporte de Londres - onde Menezes morava e trabalhava como eletricista - até Guarulhos (SP) será feito por um avião da Varig, que deixou ontem o aeroporto londrino de Heathrow às 22h (18h de Brasília) e chega hoje pela manhã em Guarulhos. Essa parte do traslado será paga pelo governo britânico. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para a família de Menezes em Gonzaga, e falou com o pai do brasileiro, Matosinhos Otoni da Silva, e com o irmão, Giovani da Silva. Segundo a assessoria de imprensa do Planalto, Lula apresentou ?suas condolências?? e informou os procedimentos de transporte que serão tomados pelo governo brasileiro. Lula também disse que o governo inglês pediu ?formalmente?? desculpas à família e ao País. O eletricista levou oito tiros da polícia britânica - sete na cabeça e um no ombro - após ter sido interceptado por policiais britânicos à paisana em Stockwell. Segundo testemunhas, ele teria corrido dos policiais ao receber a ordem de prisão. Um inquérito sobre a morte do brasileiro foi aberto pela Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), para investigar a ação da polícia britânica neste caso. Morte Menezes saiu de sua casa no bairro de Brixton na sexta-feira, e foi de ônibus até a estação de metrô Stockwell. Lá, ele foi abordado pela polícia britânica, que deu ordem de prisão ao eletricista, segundo versões prévias da polícia, de parentes do eletricista que moram em Londres, e de testemunhas que estavam no local. Segundo testemunhas, o brasileiro teria corrido dos policiais, e chegou até mesmo a saltar as catracas do metrô durante a fuga, quando foi perseguido por cerca de 20 policiais à paisana. Ainda de acordo com o depoimento de testemunhas, ele entrou assustado no vagão de metrô da linha Northern, onde foi imobilizado pela polícia, e morto.