Internacional
IRA anuncia o fim da luta armada
FOLHA ONLINE Com Agências Internacionais O Exército Republicano Irlandês (IRA), anunciou ontem que vai abandonar sua ?campanha armada? e continuar o processo de desarmamento, o que deve ajudar a retomada do processo de paz na Irlanda do Norte. Declarou também que deve prosseguir com sua luta pela unificação da região com a República da Irlanda pela ?via política?. Com a decisão, o grupo põe fim a mais de 30 anos de violência, que deixaram ao menos 3.600 mortos. Segundo o comunicado, ?a direção do IRA ordenou formalmente o fim de sua campanha armada?. ?Todas as unidades do IRA devem depor as armas. Os membros [do grupo] receberam instruções para ajudar no desenvolvimento de programas puramente políticos e democráticos, em termos pacíficos?, diz ainda o anúncio. De acordo com comunicado, a campanha armada terminou oficialmente às 16h (12h de Brasília). Apesar do anúncio, o grupo não vai se dissolver. Essa é uma das demandas dos unionistas protestantes, que defendem a continuidade da união da Irlanda do Norte com o Reino Unido, ao contrário do Sinn Fein, partido político que representa a minoria católica da Irlanda do Norte, - e sustenta o IRA como seu braço armado - que quer que a região seja integrada à Irlanda, onde o catolicismo é predominante. A organização também pede a seus militantes que mantenham como objetivo a reunificação da Irlanda e o fim da autoridade britânica sobre a Irlanda do Norte, mas unicamente por meios políticos. Protestantes Uma das discussões entre os católicos e protestantes é sobre a formação de um governo misto para a região do Ulster [como também é conhecida a Irlanda do Norte], discussão suspensa em 2002, após a deflagração de um suposto caso de espionagem realizado pelo IRA sobre o governo britânico. Houve uma tentativa de retomada dessas negociações no final do ano passado, o que acabou sendo minado pela recusa do IRA em permitir que o desarme do grupo fosse registrado publicamente. Líderes protestantes, entretanto, disseram que irão esperar vários meses para ?testar? se a ação tomada pelo IRA será ?verdadeira?. O grupo deveria ter obedecido a um desarmamento total em 2000, como parte do acordo de Sexta-Feira Santa, realizado em 1998, mas não iniciou o processo até o fim de 2001, e o interrompeu em 2003. Expectativa O premier britânico, Tony Blair, comemorou o anúncio do IRA. ?Este deve ser o dia em que, finalmente, depois de todas as esperanças frustradas, a paz irá substituir a guerra e a política substituirá o terror na Irlanda?, afirmou Blair. O secretário-geral da Nações Unidas, Kofi Annan, também comemorou o compromisso assumido pelo IRA e pediu a todos os partidos que aproveitem a oportunidade para consolidar seu acordo de poder compartilhado. ?Se for colocada em prática totalmente, esta decisão marcará a história da Irlanda do Norte?, afirmou o porta-voz de Annan.