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Brasileiros contam como sobreviveram

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| AGÊNCIA O GLOBO Com Agências Internacionais Pucallpa, Peru - Os dois brasileiros que sobreviveram ao desastre aéreo que matou 38 pessoas - três continuam desaparecidas - na selva peruana na terça-feira revelaram ontem um pouco do drama por que passaram e o alívio profundo por estarem vivos. Na cama de um hospital em Pucallpa, no Peru, Wagner Roberto Andolfato Souza, que trabalha como técnico em automação, conta que tentou se proteger como pôde. Ele tem ferimentos no rosto, nos braços e na perna esquerda. ?Devido à explosão que veio de encontro a mim, tentei proteger com minhas mãos o meu rosto o que eu pude. A força da explosão me levou de volta para o assento. Depois da explosão, vieram muitos gases tóxicos?, relatou o sobrevivente. Depois de receber os primeiros socorros, os sobreviventes foram levados para a capital peruana em um avião da força aérea. Em São José dos Pinhais, região de Curitiba, o pai de Wagner, Valdemar André de Souza, estava na mercearia da família quando recebeu um telefonema do filho. Ele disse: ?Pai, meu avião caiu, mas eu quero dizer que eu estou bem. Sofri algumas queimaduras. Fala para a mãe ficar tranqüila. Sou um dos sobreviventes?, comentou o pai de Wagner. Valdemar André de Souza decidiu não abandonar a mercearia e viajar para o Peru, porque o filho disse que esperava ter alta e voltar ao Brasil ainda nesta semana. Antes mesmo que a data da volta se confirme, o sentimento no Brasil já é de alívio. ?Tem gente que nem acredita em Deus. Mas as orações do pai e da mãe fizeram com que as coisas, realmente, aconteçam. Às vezes, você não sabe por que aquilo está acontecendo, mas ele tem que saber que Deus o abençoou e ele está vivo?, disse Valdemar. ?Sem um arranhão? O outro sobrevivente brasileiro é Nivaldo Papetti, que é de Sorocaba, no interior de São Paulo, mas trabalha para uma empresa de mineração em Lima. Por telefone ao Jornal Hoje, da TV Globo, ele contou que deixou o avião sem um arranhão sequer, e ajudou sobreviventes a afastarem-se os destroços. ?A gente começou a sair num campo aberto. Quando a gente saiu, começou a chover granizo. Muito forte, coisa que nunca vi na vida... O tamanho das pedras... Doía na cabeça?. Ele disse que tem um problema numa das pernas, mas acredita que isso tenha sido pelo esforço que fez ao ajudar uma aeromoça que estava muito queimada e não conseguia andar. ?Eu vejo as imagens agora pela televisão e não sei como saí vivo disso. E sem um arranhão!?. O Itamaraty disse que os dois brasileiros perderam os documentos no desastre, mas que estão recebendo assistência para resolver o problema. O avião da empresa estatal peruana Tans partiu-se em dois ao cair, sob forte tempestade, na selva peruana, a três quilômetros do aeroporto, na terça-feira. O Boeing 737-200 viajava com 98 pessoas e ia de Lima para Pucallpa. Antes, chegou-se a noticiar a presença de 100 pessoas a bordo. Ontem, o número de mortos foi revisado para 38 e o de sobreviventes, 57. Três continuam desaparecidos.

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