Internacional
Israel fala em cumprir mapa da paz
| AGÊNCIAS INTERNACIONAIS O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, disse ontem que o Estado judeu não manterá todos os assentamentos que possui na Cisjordânia, de acordo com um possível acordo final de paz com os palestinos. Na semana passada, foram esvaziados quatro colônias judaicas na região, e outras 21 na Faixa de Gaza, como parte de um plano para distanciar Israel do conflito direto com os palestinos. ?Nem todos os atuais assentamentos na Judéia e na Samaria vão continuar?, afirmou Sharon, referindo-se aos nomes bíblicos da Cisjordânia. Entretanto, o premier acrescentou que a decisão só seria possível se fosse parte de um acordo permanente do mapa da paz, plano liderado pelos EUA. Após o esvaziamento das 25 colônias, autoridades palestinas argumentaram que, para a paz efetiva no Oriente Médio, Israel deveria também se retirar de todos os assentamentos da Cisjordânia. O anúncio contradiz outras declarações de Sharon, que afirmou que não iria fazer novas operações de retirada como as executadas recentemente em Gaza e no norte da Cisjordânia. Na mesma entrevista, o premier disse que o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu entra em pânico e perde a calma em qualquer situação estressante. Netanyahu era ministro das Finanças do gabinete de Sharon, mas pediu demissão em protesto contra a retirada de Gaza. Pesquisas mostram que Sharon perderia para Bibi Netanyahu a liderança do Likud, partido de direita israelense cujos membros não foram totalmente de acordo ao plano de desocupação proposto pelo premier. Ariel Sharon ainda afirmou que Netanyahu não é ?adequado para liderar um governo - certamente não um governo como o de Israel. Aqui é necessário um [líder] calmo?. REação palestina Os palestinos desejam estabelecer um Estado que compreenda a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e a parte ocidental de Jerusalém. Grupos radicais palestinos disseram que a retirada concluída na semana passada acabaria levando o Estado judeu a aumentar seu controle sobre as regiões que ocupa na Cisjordânia. Apesar dos 9.000 colonos retirados dos 25 assentamentos, cerca de 10 mil israelenses migraram para a Cisjordânia no primeiro semestre deste ano. Grupos militantes palestinos disseram a um enviado egípcio que vão permanecer firmes no compromisso de manter um cessar-fogo com Israel, um dia depois de ocorrer um atentado suicida no sul do país. Líderes dos principais grupos terroristas - Hamas, Jihad Islâmico e as Brigadas dos Mártires de Al Aqsa - fizeram a promessa durante encontros com Omar Suleiman, chefe da inteligência egípcia. Ele faz a intermediação de um acordo entre israelenses e palestinos sobre a desocupação e a respeito da vigência da trégua. ?Todas as facções estão compromissadas?, afirmou o primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Ahmed Qureia. A retirada da faixa de Gaza aumentou a esperança do sucesso nas negociações de paz. No entanto, a tensão permaneceu nas últimas semanas, apesar da vigência da trégua há seis meses. ?Israel tem cometido nas últimas semanas massacres brutais contra o nosso povo, e os palestinos têm o direito de responder?, afirmou Nafez Azzam, líder do grupo Jihad Islâmico. Ele disse, porém, que a organização continuaria a honrar o cessar-fogo. Ontem, um garoto palestino de 15 anos foi detido na Cisjordânia portando três bombas. Segundo o Exército de Israel, o garoto queria entrar no país para executar um atentado.