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Constru��o de teatro gera pol�mica

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| Gilberto Scofield Jr. Agência O Globo Pequim, China - Lentamente, uma gigantesca estrutura cilíndrica de titânio começa a se fazer notar num dos pontos turísticos mais famosos de Pequim: a Praça da Paz Celestial, tradicional local de todas as grandes manifestações populares da China até 1989, quando os tanques do Exército Popular de Libertação marcharam sobre milhares de estudantes que ali faziam uma vigília pró-democracia. Na frente da enorme obra, a Cidade Proibida. Ao lado, o Grande Salão do Povo, onde se reúne o Congresso chinês. CONTRASTE Destoando tanto das formas chinesas clássicas seculares da Cidade Proibida quanto do majestoso realismo soviético do Congresso, a bola de aço, titânio e vidro atrai a atenção de todos que por ali passam por seu design hipermoderno. Trata-se da construção do Grande Teatro Nacional da China, um projeto de 2,68 bilhões de yuans (US$ 328 milhões). A construção do hipermoderno teatro é de responsabilidade do arquiteto francês Paul Andreu. O teatro terá capacidade para abrigar seis mil pessoas em quatro salas e cuja inauguração está prevista para dezembro próximo. A data é uma garantia feita por Wang Zheng Ming, diretor do Comitê Proprietário do teatro, formado por representantes da Prefeitura de Pequim e do Ministério da Cultura da China. ### Governo diz que garante segurança Uma certa aura de desconfiança paira sobre a obra. Explique-se: o Grande Teatro Nacional da China é um projeto do arquiteto francês Paul Andreu, o mesmo autor do terminal do aeroporto Charles de Gaulle, na França, que desabou em maio do ano passado matando cinco pessoas. Na época, os chineses constataram horrorizados que a cúpula do túnel que desabou no aeroporto francês não era nada comparada aos 118 mil metros quadrados do teatro gigante. Só o eixo de aço central que suporta a cúpula tem 212 metros em sua extensão leste-oeste e 143 metros na distância norte-sul. Após o acidente, o governo pediu uma revisão do projeto ao escritório de Andreu ? que visita mensalmente a obra ? e uma auditoria da China Engineering Consulting Co., subordinada à Comissão de Planejamento Estatal do governo de Pequim. Oficialmente, falou-se num pedido oficial para a redução dos custos da obra em 25%, o que foi confirmado pelo arquiteto francês. Andreu evita a imprensa chinesa e o governo apressou-se em dizer que não se podia fazer qualquer ligação entre os projetos. Até agora, várias razões são apontadas para o desabamento do Charles de Gaulle ? de uso de material inapropriado a vazamento de água ? sem um consenso sobre o real motivo do acidente. ?O governo chinês garante a segurança do teatro. São projetos diferentes e existe uma suprevisão da obra feita pelo Estado?, diz Wang Zheng Ming. De sua janela num pequeno prédio localizado dentro do gigantesco canteiro de obras, percebe-se que a construção do Grande Teatro Nacional está avançada. Wang afirma que mais de 70% da obra estão concluídos e que, desde a instalação da pedra fundamental, em 12 de dezembro de 2001, ela nunca parou. São três turnos de operários trabalhando 24 horas para garantir os prazos. A obra já teve cinco mil operários, mas na fase atual, cerca de dois mil trabalham ali. ?Os números fazem do teatro o maior da Ásia. São 120 mil metros cúbicos de areia removida, 80 mil toneladas de aço utilizadas e 330 mil metros cúbicos de cimento e areia misturados. Dentro da cúpula, a sala de óperas e shows terá capacidade para 2.416 pessoas. A de concertos, para 2.017 pessoas. A de teatro, para 1.040 pessoas. E uma pequena sala receberá cerca de 500 espectadores. Durante as Olimpíadas de 2008, os países participantes da competição vão exibir espetáculos diários para o público que deverá vir a Pequim para os jogos?, diz Wang. Além da desconfiança dos chineses comuns, o projeto foi duramente bombardeado pelos outros dez grupos que participaram da concorrência que escolheu Andreu. Cientistas e arquitetos tentaram sem sucesso parar a obra.

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