Internacional
EUA matam 81 no Iraque ap�s referendo
Folha Online Com Agências Internacionais O Exército iraquiano anunciou ontem ter realizado uma ofensiva na região denominada Triângulo Sunita - bastião da insurgência localizado a oeste da capital Bagdá e que inclui a cidade de Fallujah - matando 11 supostos rebeldes e prendendo outras 70 pessoas. Os EUA disseram que a ação realizada no domingo (16) nas imediações da cidade de Ramadi (também a oeste) deixou 70 mortos. A divulgação das ações e das mortes ocorrem dois dias depois da realização do referendo sobre a Constituição no Iraque que, segundo analistas, deverá ser aprovada. No sábado (15), dia em que foi realizado o referendo, não houve qualquer ação de grande porte realizada pelos insurgentes, e 61% dos 15,5 milhões de iraquianos aptos a votar compareceram às urnas. Segundo o comunicado do comando militar iraquiano, que não diz a data em que os atos ocorreram, ?as forças multinacionais também participaram das operações?. Grandes quantidades de armamento, munição e explosivos foram apreendidas pelos militares, acrescenta a nota. Império da violência O povo iraquiano não se uniu ao elaborar uma nova Constituição para o país e a violência continuará a imperar apesar da aparente aprovação do documento, disse ontem Kofi Annan, secretário-geral da ONU. Ainda era cedo demais para dizer se a Constituição conseguirá, a partir de agora, unificar o país, ou se acabará por dividi-lo em um Estado xiita, outro sunita e outro curdo, como advertiu um relatório interno da ONU no mês passado, disse Annan. ?Tínhamos esperança de que o processo constitucional fosse um exercício de inclusão total, que juntaria todos os iraquianos, ajudando na reconciliação. Obviamente, isso não aconteceu?, afirmou o dirigente da ONU. Perguntado sobre se achava que a violência acabaria depois do referendo de sábado, Annan respondeu: ?Não acho que possamos esperar isso, dados os fatos?. Um relatório confidencial da ONU, de 15 de setembro, advertiu que a nova Constituição era um ?modelo para a divisão territorial do país?, disse a revista Newsweek no mês passado. Segundo o secretário-geral, as desavenças em torno do texto legal refletiam as diferenças entre os iraquianos sobre se era melhor ter um governo central forte ou autoridades regionais fortes. Resultados parciais do referendo de sábado apontavam a aprovação da Constituição, um texto que os EUA esperam irá ajudar a estabilizar o Iraque e permitirá a retirada dos 156 mil soldados americanos do país. ### Bush e Blair são comparados a Hitler O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, disse ontem que o presidente norte-americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, têm uma tendência a dominar o mundo como Adolf Hitler e são ?terroristas internacionais?. As declarações foram feitas durante uma cerimônia marcando o 60º aniversário da FAO (agência da ONU para Agricultura e Alimentação). Enquanto a maioria dos líderes fez seu discurso durante a cerimônia sem qualquer companhia no palco, Mugabe estava acompanhado por dois seguranças, que ficaram a menos de um metro atrás dele. Mugabe começou seu discurso afirmando que Bush e Blair invadiram ?ilegalmente? o Iraque para ?tirar do poder? o governo local. ?Será que devemos permitir que esses homens, os dos profanos do nosso milênio, formarem uma aliança para atacar um país inocente?? questionou o presidente. ?A voz de Bush e a voz de Blair não podem decidir quem vai governar o Zimbábue, quem vai governar a África, Ásia, Venezuela, Irã, ou o Iraque?, disse ele. Mugabe também acusou o Reino Unido e os Estados Unidos de tentar fazer com que ele desistisse da redistribuição de fazendas cujos donos eram brancos entre negros no país. Algumas delegações aplaudiram o seu discurso várias vezes. Mas o embaixador norte-americano Tony Hall, que protestou contra a presença de Mugabe nas celebrações, afirmou que o presidente do Zimbábue ?foi muito infeliz?.