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Fran�a vai impor toque de recolher

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| Folha Online Com Agências Internacionais O premier francês, Dominique de Villepin afirmou ontem que toques de recolher serão impostos onde for necessário, e que 9.500 policiais foram destacados para impedir os confrontos em toda a França. ?Se for necessário, prefeitos poderão impor um toque de recolher sob a autoridade do ministro do Interior, se acharem que será útil para permitir o retorno à calma e garantir a segurança dos moradores?, afirmou Villepin à rede de TV TF1. A declaração foi dada depois que a prefeitura de Raincy - uma das cidades do subúrbio de Paris atingidas pelos confrontos - anunciou que se preparava para impor um toque de recolher na noite de ontem ou de hoje. Ontem, manifestantes atiraram coquetéis molotov e pedras contra policiais e atearam fogo em um ônibus em Toulouse, no sul da França. O ônibus foi parado por um grupo de cerca de 50 jovens, que ordenaram que o motorista descesse e, em seguida, colocaram fogo no veículo, segundo Francis Soutric, da prefeitura de Toulouse. Não havia passageiros no ônibus. Quando a polícia chegou ao local, o grupo atirou coquetéis molotov e pedras contra os policiais, que responderam com bombas de gás lacrimogêneo. As cenas de violência registradas na França desde o dia 27 de outubro - iniciadas por rebelados de bairros do subúrbio parisiense - já ocorrem em cerca de 300 localidades do país [entre bairros, distritos e cidades]. Segundo o Ministério da Justiça francês, até o momento foi registrada um morte devido aos confrontos. Cerca de 4.700 veículos foram incendiados e 1.200 pessoas foram detidas. Um total de 77 policiais e 33 membros das equipes de resgate ficaram feridos desde o início dos episódios de violência. Segundo a polícia, um homem morreu em decorrência dos machucados sofridos, após ter sido espancado na noite de sexta-feira (4), em Seine-Saint-Denis. Policiais disseram não ter muitas informações sobre o caso, mas o jornal Le Parisien afirma que o homem tinha 60 anos, e foi identificado pelo nome de Jean-Jacques Le Chenadec. Ele morreu ontem em no hospital Jean-Verdier de Bondy. Um bebê de 13 meses teve que ser hospitalizado porque recebeu uma pedrada na cabeça na última quinta-feira. Países como Austrália, Áustria, Alemanha e Hungria pediram aos seus cidadãos para que ?tomem cuidado? na França, assim como os Estados Unidos e a França alertaram seus turistas contra a violência. ### Violência chega à Alemanha e Bélgica Agências Internacionais A violência que toma de assalto várias cidades da França teria ecoado em duas cidades alemãs, aumentando os temores de que a onda de distúrbios se alastre pela Europa. Cinco carros foram incendiados em Berlim, capital alemã, e outros seis ficaram queimados em Bremen, no Oeste do país. A polícia alemã afirmou que as ações parecem copiar os ataques ocorridos no território francês, onde milhares de veículos acabaram em chamas. Autoridades da Bélgica informaram ontem que automóveis foram incendiados no lado de fora da principal estação ferroviária de Bruxelas. A ação também teria sido motivada pelos distúrbios que se espalham na França. A polícia belga informou desconhecer os autores do ato de vandalismo. Londres, Amsterdã, Berlim, Bruxelas e outras cidades européias com grande população de imigrantes estão reforçando a segurança para evitar confrontos, apesar de líderes britânicos e alemães acreditarem que o cenário social francês não se repete nas principais cidades de seus países. Jovens presos Cerca da metade dos jovens detidos desde o início da onda de violência na periferia de Paris são adolescentes, fato que vem preocupando as autoridades. A idade média dos garotos presos, segundo a polícia francesa, é de apenas 16 anos. Neste fim de semana, dois garotos de apenas 11 anos foram presos no momento em que incendiavam carros na cidade de Orleans, a cerca de 130 km de Paris. Todos os seis jovens detidos em um local que servia para a fabricação de coquetéis molotov em Evry, no subúrbio da capital, têm idade entre 13 e 16 anos. Eles haviam fabricado uma centena de explosivos. ?Nós estamos estupefatos com a pouca idade desses jovens?, afirmou ao jornal Le Parisien o procurador da República em Evry, Jean-François Pascal. Os policiais também se dizem chocados ao descobrir, em vários casos, que os atos de vandalismo na periferia de Paris e em cidades de outras regiões francesas são cometidos por garotos tão jovens. De acordo com a direção de assuntos criminais do Ministério da Justiça francês, 15 adolescentes tiveram prisão preventiva decretada. Eles comparecem diante de um juiz especial para crianças. Na França, eles podem ter sua prisão decretada a partir de 13 anos de idade. Exclusão Já na adolescência, esses garotos, muitos deles nascidos na França, mas de origem imigrante, já vivem o sentimento de exclusão social. Entre os jovens desses subúrbios, o desemprego chega até a 40%. Mas a escola dessas periferias também não funciona como um elemento de integração social, disse Imed Midouni, responsável do centro educativo Trampolim para a Inserção, em Val de Marne, na periferia de Paris.

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