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Norte do pa�s imp�e toque de recolher

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| Folha Online Com Agências Internacionais O governo do Departamento de Somme (norte) impôs ontem um toque de recolher das 22h às 6h na cidade de Amiens e em sua região. A ordem, que entrou em vigor à meia-noite de ontem, vale para adolescentes de até 16 anos que não estejam acompanhados. O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, anunciou a permissão da medida nas cerca de 300 regiões francesas atingidas pelos distúrbios, na tentativa de conter a violência que se alastra pelo país. Além da imposição do toque de recolher, o Departamento também decidiu proibir a venda de combustíveis a adolescentes. Os confrontos nos subúrbios de Paris - atribuídos à insatisfação da população devido ao desemprego, à pobreza e à discriminação racial - recuaram na madrugada de ontem na região de Paris. No entanto, a violência continuou em outras regiões da França, onde mais de 1.000 veículos foram incendiados. Na 12ª noite consecutiva de distúrbios, manifestantes atacaram e incendiaram mais de mil veículos em várias regiões do país, e cerca de 300 pessoas foram presas. Verdade O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, afirmou ontem que o país enfrenta o ?momento da verdade?. ?A República enfrenta o momento da verdade. A França está ferida. Ela não se reconhece nas ruas das áreas devastadas, em locais dominados pelo ódio e pela violência, que destroem e matam?, afirmou o premier em discurso ao Parlamento. ?Um retorno à ordem é prioridade absoluta. O governo já demonstrou isso. Nós tomaremos todas as medidas necessárias para garantir a proteção de nossos cidadãos e para restaurar a calma?, acrescentou Villepin. O premier afirmou ainda que mais 1.500 policiais serão destacados, em reforço aos 8.000 que já atuam nas áreas atingidas. Villepin prometeu acelerar a renovação de programa urbanos e ajudar na diminuição da taxa de desemprego e na criação de oportunidades para a população do subúrbio. Anteontem, foi registrada a primeira morte em decorrência das violentas manifestações: um homem identificado pelo jornal Le Parisien como Jacques Le Chenadec, 60. Segundo o diário, ele foi espancado por manifestantes na sexta-feira (4) e ficou em coma no hospital. Um bebê de 13 meses teve que ser hospitalizado porque recebeu uma pedrada na cabeça. Ele estava no ônibus que foi atacado pelos manifestantes na quinta-feira (4). Uma outra mulher sofreu graves queimaduras depois que o ônibus em que viajava foi incendiado Os confrontos começaram em 27 de outubro passado, quando dois adolescentes moradores da região de Clichy-sous-Bois (nordeste de Paris) morreram eletrocutados ao se esconderem dentro de um transformador de energia, após serem supostamente perseguidos por policiais. As autoridades negam. ### Violência levanta questões sociais Folha Online Com Agências Internacionais A onda de violência que atingiu a periferia parisiense suscita mais perguntas que respostas. Há versões que aludem a uma revolução social em marcha. Outras atribuem os confrontos a vandalismo organizado e ao abandono do governo, mas, acima de tudo, predomina a sensação de que a questão da guerrilha urbana se apóia nas incertezas de um modelo de integração falido. Veja algumas das principais questões a respeito do assunto: O que desencadeou a violência? O estopim da revolta, iniciada por jovens filhos de imigrantes, em sua maioria do norte da África, foi a morte acidental de dois adolescentes, que se eletrocutaram ao entrar numa subestação de energia. Eles estariam tentando se esconder da polícia. Mas o motivo real dos distúrbios, de acordo com analistas, é a revolta contra a exclusão social dos habitantes dos subúrbios das grandes cidades, só inflamada pela morte dos dois adolescentes. As manifestações de revolta ficaram concentradas nos arredores de Paris, nos oito primeiros dias. Depois disso começaram a ser registrados atos de vandalismo em outras cidades francesas. Por que a imagem do ministro do Interior foi tão atacada? O ministro do interior da França, Nicolas Sarkozy, defendeu a utilização de métodos repressivos contundentes e a política de ?tolerância zero?, mas, além de tudo, cometeu deslizes verbais em plena crise, chamando de ?ralé? os jovens das regiões afetadas. Sarkozy também é criticado pela interrupção da política de bairro implementada pelo ex-premiê socialista Lionel Jospin. Como são os subúrbios franceses? Neste ano, foram registrados incêndios com mortes em edifícios da periferia de Paris, onde viviam imigrantes africanos ilegais. Os bairros atingidos - cuja população é estimada em até 150 mil pessoas - concentram altíssimos índices de desemprego, violência e falta de saneamento básico. A exclusão social é a razão de fundo do conflito. De quem é a culpa? Os prefeitos dos subúrbios dizem que o Estado cortou 300 milhões de euros em recursos públicos que seriam destinados a estratégias de política e habitação. Quem são os líderes das manifestações? A revolta teve início de maneira desordenada, mas foi se organizando à medida em que transcorreram as noites. A polícia afirma que a rebelião está sendo liderada por criminosos que querem explorar os bairros com o tráfico de drogas e a prostituição, e que souberam incentivar os jovens locais.

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