Internacional
Nova premier j� admite reaproxima��o com os EUA
| Márcio Senne de Moraes Folhapress Em seu primeiro grande discurso no Parlamento, a chanceler conservadora Angela Merkel buscou ontem pôr de lado os problemas que afetaram os laços da Alemanha com os EUA nos últimos anos e salientou a necessidade de resolver os problemas que têm minado a União Européia. Merkel deixou transparecer uma leve mudança de tom em relação à UE e disse que a Alemanha terá um papel de mediação entre os grandes países-membros e os pequenos, visando superar o impasse sobre a Constituição, já rejeitada por franceses e holandeses e sobre o Orçamento. Ela enviou recado à Turquia ao afirmar que o início das negociações com a UE não significa que o país se tornará membro automaticamente. ?É imprescindível respeitar os critérios de adesão.? Apesar de a chanceler acenar com mudanças na política externa alemã, especialistas ouvidos pela reportagem não crêem que elas venham, de fato, a se concretizar. ?As mudanças serão mínimas, visto que a composição da coalizão, que conta com social-democratas, e a opinião pública não permitirão alterações de peso?, analisou Michael Kreile, da Universidade Humboldt (Berlim). ?Não se pode esquecer que o ministro das Relações Exteriores é [Frank-Walter] Steinmeier, ex-chefe-de-gabinete do antecessor de Merkel [o social-democrata Gerhard Schröder]. Ou seja, a tendência é a continuidade, embora uma sutil aproximação com os EUA seja esperada?, disse Kreile. Com efeito, Merkel, que herdou de Schröder difíceis relações com Washington em razão de sua oposição à Guerra do Iraque, tentou aparar as arestas. ?Deixemos de lado as batalhas do passado. O novo governo trabalhará por uma parceria transatlântica confiável?, declarou.