Internacional
Pa�ses celebram integra��o, mas disputa deve continuar
Puerto Iguazu, Argentina - O Brasil e a Argentina celebraram ontem 20 anos de integração com uma reunião entre seus presidentes, que elogiaram o líder da Venezuela, Hugo Chávez, e o candidato à presidência da Bolívia Evo Morales, mas não conseguiram solucionar suas disputas comerciais. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner, não assinaram, conforme se esperava, uma cláusula para restringir o comércio bilateral em setores prejudicados pelas exportações. Os dois, porém, comprometeram-se a continuar com os esforços para implementar essa cláusula ?antes de 31 de janeiro de 2006?. Em um discurso proferido ao término do encontro, realizado na cidade argentina de Puerto Iguazu, Kirchner, que abraçou Lula efusivamente, disse que a integração ?não pode significar uma especialização em que um país cresça industrialmente e o outro como provedor de produtos agropecuários?. O dirigente argentino referia-se à crescente disparidade entre os setores produtivos dos dois países. A Argentina manteve, por mais de uma década, um tipo de câmbio fixo responsável por afetar sua competitividade no setor industrial, que Kirchner agora tenta novamente incentivar. Lula, pouco depois, afirmou que ?o Brasil quer como sócio uma Argentina manufatureira?. Os mandatários assinaram 20 acordos na cidade argentina, mesmo lugar em que, em 30 de novembro de 1985, os então presidentes da Argentina e do Brasil, Raúl Alfonsín e José Sarney - presentes na reunião de quarta-feira - puseram fim a décadas de rivalidades e desconfiança. Lula e Kirchner, que fortaleceram sua relação depois da fracassada Cúpula das Américas realizada na cidade argentina de Mar del Plata, assinaram acordos de cooperação em vários setores.