Internacional
Hamas n�o quer renovar acordo de paz
| Folhapress Com agências internacionais O líder do grupo extremista palestino Hamas, Khaled Mashaal, anunciou ontem que a organização não renovará o acordo de paz com Israel, cujo prazo vence no fim deste ano. Em discurso durante uma manifestação em um campo palestino próximo da capital síria, Damasco, Mashaal afirmou que, em 2006, ?o Hamas escolherá apenas a estrada da resistência, especialmente em um momento em que aguarda pelo fim da trégua, que foi cansativa.? Mashaal acusou ainda Israel de falhar em cumprir o acordo informal, que foi negociado com a mediação do Egito. O governo egípcio convidou os grupos extremistas palestinos para uma reunião no Cairo em que seria discutida a extensão do acordo de paz. ?Já chega de trégua?, afirmou Mashaal. ?Nós não nos arrependemos de ter aderido, pois a trégua era necessária no momento em que foi negociada. Mas depois que nosso inimigo não a cumpriu, depois que prisioneiros palestinos continuam detidos e que o número de presos cresceu para 9 mil, não há espaço para trégua.? As declarações - que reiteram um comunicado divulgado pelo Hamas no início do mês - aumentam o receio de novos ataques suicidas em Israel. Após o discurso, Mashaal negou que o fim da trégua seja imediato. ?Houve alguma confusão a respeito por algumas agências de notícias?, afirmou ele à rede de TV Al Jazeera por telefone. ?Eu me referi à renovação do acordo de paz para o próximo ano. A trégua ainda está em vigor, não há mudança da posição do Hamas nesse sentido?, disse Mashaal. Os Estados Unidos e Israel -que consideram o Hamas uma organização terrorista - exigem que o líder palestino, Mahmoud Abbas, desarmem o grupo. No entanto, Abbas teme que tal medida provoque uma guerra civil e prefere negociar com os extremistas. PASSAGEM FECHADA Israel fechou temporariamente a principal passagem que liga Jerusalém Oriental à Cisjordânia, depois que um palestino esfaqueou um soldado israelense que montava guarda em um posto de controle perto da cidade palestina de Ramallah, informou ontem o Exército. A escalada de violência acontece em um momento em que tanto Israel quanto os palestinos estão às vésperas de eleições e acaba causando danos políticos tanto para o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, como para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que deve disputar as eleições palestinas com políticos do grupo extremista Hamas. Ariel Sharon, em compensação, quer vencer as eleições legislativas de 28 de março próximo.