Internacional
Bush acaba ano em crise com Congresso
| FOLHA ONLINE Com agências internacionais Washington - O governo do presidente norte-americano, George W. Bush, termina o ano com uma série de derrotas no Congresso americano, onde sua dividida maioria republicana teve de frear as ambições do presidente em vários aspectos-chave de política econômica e segurança. A questão sobre a prorrogação do Patriot Act, o polêmico pacote de leis antiterroristas adotado pelo governo americano, foi sem dúvida seu maior revés. A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou a extensão do pacote por um mês, um dia após o Senado estender a mesma lei por seis meses. Bush e seus aliados republicanos no Congresso insistiam em renovar o Patriot Act por tempo ilimitado. As preocupações com as liberdades civis entre a oposição democrata e alguns membros do Partido Republicano forçaram a Casa Branca a aceitar uma renovação apenas temporária. Com a aproximação do fim da vigência da lei, em 31 de dezembro próximo, Bush emitiu um comunicado pedindo aos legisladores que votassem na ampliação do seu prazo, e acusou a oposição democrata de colocar em risco a segurança do país. ?O líder democrata no Senado se gabava na semana passada de que os senadores ?mataram o Patriot Act?. A segurança de nossa Nação deve estar acima dos interesses políticos?, declarou Bush. Harry Reid, líder dos democratas no Senado, explicou que seus correligionários obstruíram a renovação permanente da lei para que haja garantias das liberdades civis. Como fez Bush nas últimas semanas, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, acusou a oposição nesta quinta-feira de se opor ao Patriot Act para ?marcar pontos políticos? antes das eleições legislativas de novembro. No plano econômico, as divergências internas, que já haviam obrigado a revisão de um audacioso plano de poupança, impediram os republicanos - pelo menos provisoriamente - de pôr em prática as reduções de impostos promulgadas nos últimos anos. ### Casa Branca obrigada a acatar novas leis FOLHA ONLINE Com agências internacionais A Casa Branca também teve que acatar uma lei de proibição explícita da tortura, que o presidente George Bush poderá promulgar nesta semana no âmbito do orçamento de Defesa, após meses de intensa campanha conduzida pelo republicano John McCain. Além disso, o Senado vetou o projeto de explorações petrolíferas no extremo nordeste do Alasca, apesar das pressões da administração do presidente George Bush, que alega a possibilidade de reduzir a dependência energética dos Estados Unidos. Petróleo Desde 1991, os republicanos, com o apoio da indústria petroleira, tentaram quatro vezes votar a abertura da zona de proteção ecológica do Alasca, mas sem sucesso. Na última vez, em 2003, os senadores democratas e vários republicanos conseguiram bloqueá-la, por 52 votos contra 48. Em um claro desespero de causa, o projeto foi incluído no orçamento da Defesa, com a alegação do financiamento do esforço militar. Nesta reserva, batizada de Arctic National Wildlife Refuge (ANWR), criada em 1960 e administrada pelo serviço federal da pesca e da vida selvagem, existem mais de 36 espécies de mamíferos, como renas ou ursos brancos e pardos, 180 espécies de pássaros e 36 de peixes.