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Nº 5730
Internacional

Brasil insiste em obter assento na ONU

| Cláudia Dianni Folhapress Brasília - Apesar de ter perdido o Japão como aliado, o Brasil vai insistir em sua tentativa de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), instância máxima da entidade. A af

Por | Edição do dia 08/01/2006 - Matéria atualizada em 08/01/2006 às 00h00

| Cláudia Dianni Folhapress Brasília - Apesar de ter perdido o Japão como aliado, o Brasil vai insistir em sua tentativa de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), instância máxima da entidade. A afirmação foi feita pelo chanceler Celso Amorim. Na última quinta-feira, o Brasil, a Alemanha e a Índia reapresentaram o projeto de resolução para a reforma do Conselho de Segurança, mas o Japão anunciou que não vai assinar a proposta. Segundo afirmou o porta-voz do governo japonês, Shinzo Abe, a agências de notícias internacionais, o Japão não concorda com a reapresentação da proposta por acreditar que as chances de aprovação são escassas. A sugestão do G4 não conseguiu suficiente apoio para ser votada. Ao jornal norte-americano Wall Street Journal, Shinzo Abe disse que o fato de o Japão não assinar a proposta não significa uma ruptura com o G4. Segundo o porta-voz, o governo japonês vai manter estreitos contatos com os países do grupo. O governo japonês espera que o G4 consiga mais apoio, principalmente entre os países africanos, antes de apresentar uma nova proposta, que poderá ser votada em setembro na Assembléia Geral da ONU. Sem surpresas O Itamaraty divulgou uma nota informando que a proposta apresentada na quinta-feira em Nova York, sede da ONU, é a mesma defendida no ano passado pelos quatro países. O projeto prevê a criação de dez novos assentos no Conselho de Segurança, dos quais seis seriam permanentes e quatro não-permanentes. De acordo com a assessoria do Ministério das Relações Exteriores, o governo não foi surpreendido pela decisão do Japão. “A reforma do Conselho de Segurança é um tema complexo, mas o fato de o assunto não ter sido resolvido não significa que vai desaparecer da agenda. Se não conseguirmos agora, estaremos preparando algo para o futuro”, disse Amorim. Segundo o ministro Celso Amorim, o Brasil vai continuar consultando Tóquio sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU. ### Japão critica nova proposta de reforma Tóquio - O Japão criticou, na última sexta-feira, a nova proposta apresentada por Brasil, Alemanha e Índia para reformar o Conselho de Segurança da ONU, por considerar que a mesma tem escassas possibilidades de obter os apoios necessários. “Decidimos não nos associar aos países que apresentam esta proposta, pois acreditamos que não é o momento adequado”, explicou o porta-voz do governo, Shinzo Abe. “Não há nenhuma possibilidade de que possam obter o apoio de dois terços dos membros da Assembléia Geral da ONU, como é necessário”, disse Abe. O projeto brasileiro é similar ao apresentado no ano passado pelo G4, que pretende aumentar de 15 para 25 o número de membros do Conselho de Segurança, com seis novos integrantes permanentes e quatro não permanentes. Na quinta-feira, o Japão afirmou que preparava uma nova proposta de reforma do Conselho de Segurança que fosse aceitável para os Estados Unidos, historicamente seu principal aliado nas questões que tangem a disputa de lugares no CS da ONU. O Japão teve que renunciar, no momento, ao desejo de ser um membro permanente, objetivo prioritário de sua diplomacia. ### Sem Japão, G4 pode ganhar força FOLHAPRESS Brasília Para ser aceita, a proposta feita pelo Brasil precisa contar com o voto de pelo menos 128 países. Uma das principais razões da falta de apoio para a proposta do G4 no ano passado foi a forte oposição da China, membro do conselho permanente e portanto com direito a veto, à entrada do Japão. Além disso, os Estados Unidos ainda não deram apoio explícito à reforma proposta pelo G4 e, por falta de coesão, a União Africana, com 53 países, não apoiou o projeto. Com a saída do Japão, alguns analistas acreditam que a proposta do G4 pode ganhar força. O Conselho de Segurança é a ramificação mais importante da ONU. É um órgão político permanente e seus membros são os únicos com poder de veto. Os demais membros da organização acatam as decisões e só têm direito a fazer recomendações. Para o Itamaraty, a reforma do Conselho de Segurança é uma forma de democratizar as decisões da Organização das Nações Unidas, já que sua formação reflete a geopolítica do pós-guerra, portanto, os países em desenvolvimento estão sub-representados.

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