Internacional
Dois soldados jordanianos s�o mortos em tiroteio no Haiti
| Leila Suwwan Folhapress Nova York - A três semanas das eleições e sob comando militar provisório, dois soldados jordanianos da missão das Nações Unidas foram mortos ontem no Haiti em tiroteio na capital, Porto Príncipe. Um terceiro foi baleado e está hospitalizado em situação grave. O incidente ocorreu enquanto a ONU ainda analisava a candidatura dos dois generais brasileiros indicados para substituir o comandante Urano Bacellar, que cometeu suicídio no início deste mês. José Elito Carvalho Siqueira, 59, e Jeannot Jansen da Silva Filho, 58, foram entrevistados anteontem à noite em Nova York. O processo foi acelerado para normalizar a missão no Haiti, que vem sofrendo fortes críticas pela escalada da violência na capital e pressões por falta de verbas internacionais, o que pode ameaçar as eleições no país. O ataque aos soldados ocorreu ontem em um ponto de controle militar na favela Cité Soleil, na capital haitiana, segundo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. Um soldado morreu no local e outro logo em seguida no hospital. Até dezembro, a ONU contabilizava 13 mortes na missão - 9 militares, 3 policiais e 1 civil estrangeiro. Para as Nações Unidas, a morte do comandante brasileiro não desestabilizou a missão, que está sob comando transitório de um general chileno. Tampouco comenta o que teria motivado o incidente e classifica como especulações ligações entre o suicídio e a delicada situação da missão. Mas o ataque aos soldados pode sinalizar uma ofensiva pré-eleitoral de gangues urbanas que se opõem ao processo e à presença da ONU no país. Alguns dos grupos armados apóiam o ex-presidente exilado Jean-Bertrand Aristide, que fugiu do país em 2004 após uma revolta armada. Além disso, não está claro se o tiroteio está ligado a uma intensificação da ação militar em Cité Soleil, conforme pedia manifestação na sede da ONU em Porto Príncipe na segunda-feira. Anteontem, após reunião emergencial com os países latino-americanos que integram a Minustah, a ONU confirmou que há condições para a realização das eleições no dia 7 de fevereiro. No domingo, o próprio secretário-geral da ONU, Kofi Annan, teve de intervir para pedir ajuda ao governo provisório do Haiti para pôr fim à ?campanha difamatória inaceitável? contra a missão, prevendo episódios de violência contra os capacetes azuis.