Internacional
Navio afunda com 1.400 pessoas a bordo
| Folhapress Com agências internacionais Um navio egípcio com cerca de 1.400 pessoas a bordo, trabalhadores e peregrinos egípcios que voltavam de Meca em sua maioria, afundou durante a madrugada de ontem no mar Vermelho, em viagem entre a Arábia Saudita e o Egito. Ao menos 185 corpos foram retirados do mar, de acordo com policiais, e pelo menos 263 pessoas conseguiram escapar em botes salva-vidas ou foram resgatadas com vida. Operações de resgate com a ajuda de helicópteros e navios sauditas e egípcios continuaram até a noite, mas havia poucas esperanças de que mais sobreviventes fossem encontrados. A maioria dos passageiros estava dormindo no momento do naufrágio, e as equipes de resgate demoraram cerca de dez horas para chegar ao local. Entre os passageiros, ao menos 115 eram estrangeiros, a maioria saudita. O navio levava ainda 220 veículos e 98 tripulantes. O Al Salam Boccaccio 98 partiu de Duba, na Arábia Saudita, às 19h30 (horário local) com chegada prevista a Safaga, no Egito, para as 2h da manhã. O último contato do navio com terra ocorreu por volta das 22h. Funcionários da empresa de transporte marítimo El Salam, dona da embarcação, afirmaram não haver indicações de que o naufrágio tenha sido provocado por um ataque. Adel Shukri, diretor da El Salam no Cairo, disse que fazia mau tempo no momento do acidente, com ventos fortes e tempestades. Segundo a agência de notícias estatal egípcia Mena, o navio Saint Catherine, que fazia a mesma rota, mas em direção contrária, recebeu uma mensagem de socorro em que o capitão do Al Salam afirmava estar em risco de afundar. Estações na costa também receberam uma mensagem de socorro da tripulação, disse Shukri. ?O navio cumpria todas as normas de segurança. As razões [do naufrágio] continuam desconhecidas??, afirmou o ministro dos Transportes egípcio, Mohammed Lutfy Mansour, à agência de notícias Middle East. De acordo com Mansour, apenas quatro corpos haviam sido encontrados. O governante egípcio, Hosni Mubarak, pediu uma investigação urgente sobre o naufrágio, sugerindo que pode ter havido uma falha nos serviços de salvamento. O navio foi construído em 1971, reformado em 1990 e tinha capacidade para 2.500 pessoas. Um navio de propriedade da mesma empresa, também levando peregrinos, colidiu com um navio de carga na entrada sul do canal de Suez em outubro, provocando desespero nos passageiros, que tentavam escapar do naufrágio. Duas pessoas morreram, e 40 ficaram feridas. Centenas de parentes das vítimas reclamavam da falta de informação no porto de Safaga. ?Onde está a lista de nomes???, gritou um homem. Havia relatos contraditórios sobre os locais para onde os sobreviventes estavam sendo encaminhados. Houve confusão também no planejamento do resgate. As autoridades egípcias inicialmente recusaram as ofertas do governo britânico de deslocar um navio e do governo americano de enviar uma patrulha naval para o local. Depois voltaram atrás, pedindo o envio dos dois. Mais tarde, cancelaram novamente o envio do navio britânico.