Internacional
Brasil imp�e veto a gado da Argentina
| Patrícia Zimmermann Folhapress Brasília - O governo brasileiro decidiu fechar parcialmente a fronteira com a Argentina para a importação de carne e para o trânsito de gado vivo a partir de hoje, devido à descoberta de um foco de febre aftosa na Província de Corrientes (nordeste), que faz fronteira com o Rio Grande do Sul. A informação foi divulgada pelo Ministério da Agricultura. A Secretaria de Defesa Animal informou que o bloqueio vale para a região próxima ao foco, localizado na cidade de San Luis del Palmar, a 25 km do Paraguai e a 280 km da fronteira do Rio Grande do Sul. A medida não atinge carne maturada nem desossada. Hoje a secretaria vai avaliar se haverá necessidade de aumentar o rigor das medidas. Os governos do Chile e do Uruguai também impuseram ontem o bloqueio temporário à importação de carne e gado argentino. O Brasil ainda enfrenta embargos de diversos países para a exportação de carne, principalmente da originária do Mato Grosso do Sul e do Paraná. No último trimestre do ano passado, a descoberta de dezenas de focos de aftosa em cidades do sul do Mato Grosso do Sul levou ao sacrifício de mais de 30 mil cabeças de gado na região. Além disso, as suspeitas de foco no Paraná também provocaram a interdição do comércio de carne e derivados de várias cidades do Estado. Segundo o Ministério da Agricultura, o presidente do Serviço de Nacional de Segurança Agroalimentar da Argentina (Senasa), Jorge Néstor Amaya, informou ontem o governo brasileiro sobre o foco. O ministério já repassou a informação para todas as suas superintendências regionais e determinou reforços na vigilância em estados próximos ao local do foco. O governo do Rio Grande do Sul informou que fará a fiscalização do gado vindo da Argentina nas barreiras sanitárias de Barra do Guarita, Porto Soberbo (município de Tiradentes do Sul), Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Porto Xavier e São Nicolau. ### País deve sacrificar animais infectados FOLHAPRESS Brasília O Ministério da Agricultura é responsável pela fiscalização em outras três barreiras, nos municípios de Uruguaiana, Itaqui e São Borja. Haverá reforço de veterinários nas áreas de fronteiras. A Argentina informou que irá sacrificar animais infectados com a doença e que determinou um período de quarentena para a região em que foi detectado o foco e as proximidades. Os inspetores do órgão detectaram a presença de aftosa em 70 cabeças de gado em um estabelecimento na região. O serviço ainda estabeleceu um cordão sanitário de 20 km ao redor da fazenda onde a doença foi detectada. O governo argentino já informou oficialmente à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e às autoridades sanitárias dos parceiros do país no Mercosul. De acordo com a Argentina, há o risco de que cerca de 3.000 animais possam ser infectados pela doença na região. A idade dos bois afetados é de 18 a 24 meses. O laboratório do serviço informou que o vírus da aftosa encontrado nos animais é de tipo O. O país informou ainda que, além das medidas de isolamento do local, irá recomendar ao serviço sanitário que acelere a vacinação do gado da região, iniciada no dia 1º deste mês, e que seja rastreado todo o movimento do gado da fazenda para determinar a origem da doença.