Internacional
Saddam confessa ordem de 148 mortes
| Folha ONLINE Com agências internacionais O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein admitiu ontem, durante a 14ª audiência de seu julgamento em Bagdá, ter ordenado o julgamento que resultou na morte de 148 xiitas em Dujail em 1982, como represália ao atentado contra seu comboio na cidade ao norte de Bagdá. Ao final da sessão, que durou cerca de quatro horas, o juiz Raouf Abdel Rahman, adiou o julgamento do ex-ditador para 12 de março. No entanto, Saddam afirmou que sua ordem era legal, já que as vítimas eram suspeitas de ter cometido um atentado contra sua vida. ?Onde está o crime??, perguntou Saddam diante do júri. ?Se julgar um suspeito de atirar em um chefe de Estado é considerado um crime, então vocês têm um chefe de Estado em suas mãos. Julguem-no?, acrescentou Saddam. O ex-ditador também assumiu a responsabilidade pela destruição da horta dos moradores de Dujail, dizendo que seus colaboradores deveriam ser liberados pela Justiça. ?Sou o único responsável. Eu ordenei a destruição das hortas?, afirmou. Assinatura de Saddam A promotoria apresentou um decreto presidencial com a assinatura de Saddam, que ratificava as sentenças de morte para os 148 xiitas - a evidência mais direta de sua ligação com o crime nos quatro meses de processo. Pouco antes de o juiz Rahman ordenar o adiamento da sessão, Saddam o interrompeu e pediu autorização para falar. Em seguida, o ex-ditador ficou em pé e fez um discurso de cerca de 15 minutos. Se forem considerados culpados pelo júri, Saddam e sete colaboradores podem ser condenados à pena de morte. Eles são acusados de tortura, prisões ilegais e pela violenta ação em Dujail, que levou à morte de 148 pessoas e à prisão de outras 400. O promotor-chefe, Jaafar al-Moussawi, disse à corte que os acusados de Dujail passaram por um ?julgamento imaginário?. ?Nenhum dos réus foi levado a julgamento. Seus testemunhos não foram ouvidos?, afirmou.