Internacional
EUA advertem Iraque sobre guerra-civil
| FOLHA ONLINE Com agências internacionais A crescente onda de violência sectária no Iraque não significa a existência de um risco real de guerra civil, segundo o governo dos Estados Unidos, que advertiu que um conflito interno iraquiano teria conseqüências ?catastróficas? para todo o Oriente Médio. Essa é a advertência feita nesta semana pelo diretor da Inteligência Nacional norte-americana e ex-embaixador dos EUA no Iraque, John Negroponte, durante convocação para o Comitê de Forças Armadas do Senado, onde foi questionado sobre possíveis ameaças para a segurança nacional e global. Negroponte deixou muito claro que, ?caso exploda o caos no Iraque ou se as forças democráticas forem derrotadas, isso terá conseqüências catastróficas não só para o povo iraquiano, mas também para o resto do Oriente Médio e para o mundo?. Segundo o ex-embaixador, uma guerra civil poderia gerar um conflito muito mais amplo entre os sunitas e os xiitas de outros países da região. Negroponte afirma que Arábia Saudita e Jordânia poderiam apoiar os sunitas, enquanto o Irã, país que já tem laços estreitos com alguns xiitas extremistas do Iraque, estaria do lado dos xiitas. Embora o diretor tenha admitido que todos estes países seriam contrários a se envolver em uma guerra entre essas duas comunidades, Negroponte não descartou essa possibilidade, dizendo que eles ?podem se deixar levar pela tentação?. O principal responsável da espionagem norte-americana explicou aos senadores que os pontos cruciais que definiriam o início de um conflito interno seriam, por exemplo, uma completa perda do controle de segurança por parte do governo central, ou a desintegração ou deterioração das forças de segurança do país. No entanto, e apesar da violência sectária que castiga Bagdá e outras cidades iraquianas nos últimos dias, o diretor da Inteligência disse aos senadores que há progressos e que, caso se mantenham esses avanços, os EUA podem ?vencer no Iraque?. É uma mensagem de otimismo ratificado pelo próprio presidente dos EUA, George W. Bush, que se mostrou convencido de que a recente escalada de violência não se tornará em uma guerra civil, como apontam alguns analistas.