Internacional
R�ssia desconfia da bi�psia de Milosevic
| ESTADÃO ONLINE Com agências internacionais O ministro russo de Assuntos Exteriores, Serguei Lavrov, manifestou ontem a desconfiança de Moscou sobre os resultados oficiais da autópsia do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e anunciou que a Rússia enviará um grupo de forenses a Haia. ?Se eles não acreditaram em nós, também temos direito de não acreditar e desconfiar daqueles que realizaram a autópsia?, declarou Lavrov, segundo a agência Interfax. O chefe da diplomacia russa disse que Moscou pediu ao Tribunal Penal Internacional (TPI) autorização para que médicos russos ?participem da autópsia ou, pelo menos, conheçam seus resultados?. Lavrov lembrou que o ex-presidente iugoslavo tinha pedido para ser levado a Moscou para seguir tratamento médico, o que foi negado pelo TPI por temor de que não retornasse a Haia, na Holanda, apesar das garantias oferecidas pelo Kremlin. Milosevic, que sofria de hipertensão crônica, pediu ao TPI a liberdade provisória para ser atendido no Instituto de Cirurgia Cardiovascular ?Bakulev? de Moscou. Exames Exames no sangue de Milosevic, realizados antes de ele ter sido encontrado morto no sábado, mostraram indícios de um remédio que anulava o efeito de medicamentos contra a pressão alta, afirmou ontem um toxicologista holandês. Donald Uges, da Universidade de Groningen, afirmou que entre os exames de sangue feitos por ele em Milosevic, há duas semanas, comprovou-se nos resultados traços de rifampicina - um medicamento contra Hanseníase (lepra) e tuberculose - o que tornaria outros remédios ineficazes. Liberação O corpo de Milosevic, no entanto, foi liberado ontem por autoridades holandesas, após a autópsia que durou cerca de oito horas, informaram fontes da ONU (Organização das Nações Unidas). O corpo foi liberado da custódia do Instituto Nacional Forense por volta do meio-dia (8h de Brasília), o que significa que os exames foram completados. No entanto, o inquérito para apurar as causas da morte prossegue. O resultado de um laudo preliminar, divulgado neste domingo em um relatório da ONU, aponta infarto como a causa da morte do ex-ditador.