Internacional
Protesto franc�s � marcado por viol�ncia
| Folha Online Com agências internacionais Milhares de pessoas foram às ruas de Paris ontem - em sua maioria estudantes - para protestar contra a lei do primeiro emprego. Policiais utilizaram gás lacrimogêneo e entraram em confronto com os manifestantes na região do museu dos Inválidos, perto do prédio do Ministério das Relações Exteriores na capital francesa. Manifestantes atearam fogo em carros, saquearam lojas e atiraram pedras contra policiais ao final da passeata contra a lei trabalhista, que reuniu milhares de pessoas e começou de forma pacífica. O Corpo de Bombeiros de Paris também foi chamado para combater um incêndio que teria sido provocado por manifestantes em um prédio de seis andares próximo à sede do Ministério das Relações Exteriores. Dezenas de jovens - muitos utilizando máscaras ou capuzes - depredaram carros, quebraram vitrines de lojas e saquearam pertences de estudantes, segundo testemunhas. Segundo a polícia, 42 pessoas foram presas. Milhares de estudantes se manifestaram em cidades de todo o país - entre elas, Tours, Orleans Bordeaux e Marselha. Tumultos também ocorreram em Rennes, onde cerca de 300 a 400 jovens entraram em confronto com a polícia. Villepin convidou ontem os mais poderosos sindicatos da França para conversações, a fim de conquistar o apoio deles sobre o contrato de primeiro emprego, conhecido como CPE, que tem provocado onda de protestos em várias regiões do país desde a semana passada. O encontro acontecerá amanhã. Os sindicatos convocaram uma greve geral para a próxima terça-feira, exigindo a retirada do projeto, que permite aos patrões demitir sem justa causa, nos primeiros dois anos de contrato, os funcionários com menos de 26 anos de idade. Villepin, que enfrenta também pressão no seio do governo de Jacques Chirac, defende que o projeto é uma ferramenta-chave na batalha contra o desemprego entre jovens, que atualmente está em 23%. Lei A lei do primeiro emprego, aprovada pelo Parlamento no mês passado, pretende reduzir o desemprego entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa ou indenização, desagrada os jovens. Muitos grupos de estudantes foram chamados a aderir a uma ?jornada nacional de ação? convocada pelas uniões sindicais, prevista para 28 de março. A jornada deve incluir passeatas e paralisações. A controvérsia ocorre antes das eleições no país, previstas para 2007. Pesquisas apontam que a popularidade de Villepin está em queda, e a oposição afirma que irá revogar a nova lei caso vença as eleições.