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Milhares lembram 30 anos do golpe militar

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| MÁRCIA CARMO Folha Online Pelo menos 50 mil pessoas, segundo os organizadores, lotaram a Praça de Maio, em Buenos Aires, numa vigília para marcar os 30 anos do golpe militar na Argentina. A manifestação começou na noite de quinta-feira e terminou às três da manhã da sexta, hora do golpe militar contra a gestão da então presidente Isabelita Perón no dia 24 de março de 1976. A partir daquela madrugada e durante sete anos, até 1983, os argentinos tiveram, segundo entidades de direitos humanos, cerca de 30 mil desaparecidos. Outros crimes cometidos naquele período, chamado de ?anos de chumbo?, foram os casos de torturas nas mais de 600 prisões clandestinas, além de cemitérios desconhecidos e seqüestros dos filhos dos presos políticos, ainda bebês. A vigília na Praça de Maio, em frente à presidência da República, foi uma homenagem às Mães da Praça de Maio, que usando seus tradicionais lenços brancos, em referência às fraldas dos filhos, acompanharam o espetáculo. Foi uma noite de shows de grupos musicais argentinos para uma multidão que erguia bandeiras e podia ver, junto ao palco, um manto com fotos em preto e branco dos desaparecidos políticos. A noite de ?memória?, como outros a chamaram, faz parte da série de atividades que marcam a semana e, principalmente, o dia 24 de março - feriado nacional, a partir deste ano. Chegou-se a especular que o presidente Nestor Kirchner anunciaria a anulação, por decreto, da anistia dada pelo ex-presidente Carlos Menem, no início dos anos 90 do século passado, aos chefes militares, dos anos de repressão. Mas ninguém no governo confirmou a informação. Hoje, a maioria dos que integraram a cúpula do governo militar, como Jorge Rafael Videla, cumpre prisão domiciliar por ter mais de setenta anos de idade. Videla e outros foram julgados no governo do ex-presidente Raul Alfonsín, nos anos 80 do século passado, anistiados mais tarde, e hoje cumprem prisão pelo roubo de bebês, filhos de perseguidos pela ditadura - causa que não estava prevista naquele perdão.

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