Internacional
M�o-de-obra infantil chega a 30% na agricultura brasileira
Genebra ? A Organização Mundial do Trabalho (OIT) comemora, hoje, o Dia Internacional Contra o Trabalho Infantil. No Brasil, segundo a OIT, a situação é preocupante, pois grande parte da mão-de-obra do setor agrícola é formada por menores de 15 anos. Em setores como café, cacau e algodão, entre 25% e 30% dos trabalhadores são crianças, apesar de o País ter ratificado dois tratados internacionais que proíbem o trabalho infantil. A informação sobre o Brasil faz parte do relatório ?Um futuro sem trabalho infantil? lançado em Genebra. No mundo, de acordo com o documento da OIT, uma a cada seis crianças com idade entre 5 e 17 anos está envolvida em algum tipo de atividade econômica. ?Identificamos 246 milhões de crianças trabalhando, o equivalente a toda a população dos Estados Unidos?, afirma um assessor da OIT. Para a OIT, a pobreza é a principal causa do trabalho infantil. Segundo a organização, 70% de todos os casos de trabalho infantil no mundo são encontrados no setor agrícola. E 8% estão em lojas, restaurantes e hotéis. No Brasil, cerca de 15% das crianças ? 6,5 milhões de pessoas ? trabalham. A OIT lembra que, em momentos de crise econômica, as crianças brasileiras são tiradas da escola para ajudar na renda das famílias mais pobres. ?Esse é também o caso da Argentina hoje?, afirma a OIT. Empregada doméstica Outro problema brasileiro são as meninas que fazem trabalhos domésticos ? 20% das que têm entre 10 e 14 anos, estima a organização. Além disso, aponta o fato de este tipo de trabalho normalmente não ser incluído nas estatísticas sobre trabalho infantil. A América Latina é a terceira região do mundo com o maior número de menores trabalhando ? 17,4 milhões de crianças, 8% do total. Na Ásia, a organização identificou 127 milhões de crianças no trabalho, 60% do total mundial. Na África a situação é das mais graves, com 48 milhões de crianças entre 5 e 14 anos envolvidas no trabalho. Segundo a OIT, os países ricos respondem por 1% dos casos de trabalho. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), países europeus e os Estados Unidos defendem que as economias que utilizem trabalho infantil para exportar sejam punidas com tarifas mais elevadas. Mas os países pobres alegam que isso não funcionaria e acusam o mundo desenvolvido de procurar mais uma forma de barrar seus produtos nos principais mercados mundiais.